Dior e A24 estão a colaborar, e Sabrina Carpenter está envolvida de alguma forma A francesa Maison deu início a uma parceria de dois anos com a produtora norte-americana

O diagrama de Venn que engloba Dior sob Jonathan Anderson, A24, e Sabrina Carpenter sobrepõe-se de maneiras estranhas. Ou pelo menos era assim que parecia até ontem, quando a Maison publicou um vídeo enigmático nas redes sociais mostrando a estrela pop e o diretor criativo a andar em duas esteiras vestidos com trajes praticamente idênticos: uma camisa de flanela desabotoada, t-shirt branca, jeans e ténis Salomon — o que se tornou, nos últimos meses, uma espécie de uniforme não oficial da Anderson. O post, partilhado pelos relatos da Dior, Anderson e A24, foi apenas um teaser, no entanto.

Esta manhã, o Financial Times revelou que a Dior e a A24 lançaram uma parceria de dois anos centrada no Cherry Lane Theatre, em Nova Iorque, o teatro histórico adquirido pela produtora em 2023. A Dior será a sua principal parceira, apoiando um programa que incluirá filmes, teatro, palestras e eventos ao vivo. O negócio parece pensado para trazer a Dior para o ecossistema cultural construído pela A24, permitindo à Maison falar a um público mais jovem através de conteúdos e experiências que vão além de uma campanha tradicional ou mais uma queda de merch da casa de produção.

Como será a parceria Dior e A24?

A colaboração não surgiu do nada. Jonathan Anderson conheceu Rose Garnett, chefe da A24 UK, enquanto trabalhava nos figurinos para Queer de Luca Guadagnino, e os dois têm desde então explorado uma maneira diferente de trazer moda e cinema para o diálogo. “A Dior sempre teve uma ligação com o teatro e o cinema”, disse Anderson ao Financial Times, mas segundo o designer, a forma como esses mundos se comunicaram até agora já não é suficiente. O coração da parceria será, portanto, o Teatro Cherry Lane, do qual a Dior se tornará a principal parceira durante dois anos.

O objetivo, no entanto, não parece ser transformar o teatro num anúncio gigante da Dior, mas sim construir uma presença cultural credível e alcançar uma geração mais jovem através da A24 e da sua comunidade. A Dior também poderá ampliar e apoiar certos filmes e projetos específicos da casa de produção, enquanto o teatro servirá como uma espécie de laboratório para explorar as formas que essa relação pode assumir. É uma necessidade que Anderson resume afirmando que “a moda não faz parte do imaginário público cultural neste momento”, razão pela qual, diz ele, a indústria deve diversificar e encontrar o seu caminho de volta ao zeitgeist cultural.

“Nada nos vai salvar, nem mesmo a Moda ou o Cinema”

Nos últimos anos, a moda começou a olhar para o cinema com uma atenção que vai muito além do figurino e dos tapetes vermelhos. Saint Laurent fundou a Saint Laurent Productions em 2024, a Dior está a entrar diretamente no universo A24 e, entretanto, a forma como os designers e coleções são apresentados também começou a parecer cada vez mais a forma como a indústria cinematográfica lança um filme. Novos diretores criativos recebem teasers e trailers; as campanhas tornam-se curtas-metragens, como no caso da Maison Margiela, que apresentará um novo documentário ao lado da sua próxima coleção SS27.

Talvez a questão nem seja que a moda tenha de repente descoberto o cinema. É que, neste momento, o cinema possui algo que parece faltar à moda. Continua a produzir histórias e imagens capazes de entrar na cultura popular sem necessariamente ter de vender algo ao mesmo tempo. A moda, pelo contrário, reduziu progressivamente nos últimos anos a sua relação com o público a uma transação: compre isso, desejo aquilo, aspirar a pagar a próxima coisa. O que falta saber é o que vai acontecer quando duas indústrias que ambas querem ocupar o imaginário cultural começarem a assemelhar-se cada vez mais: a moda conseguirá reivindicar uma parcela da relevância cultural do cinema, ou o cinema acabará por absorver definitivamente um mundo da moda que já não sabe falar com as pessoas?

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