A guerra no Médio Oriente também está a travar a moda rápida. Dos voos cancelados à disparada dos preços do petróleo

O conflito no Médio Oriente está a envolver o Irão e Israel, com consequências que também estão a afetar o destino de cidades normalmente “abrigadas” como o Dubai, cujo aeroporto (o maior da região) está bloqueado há dias. Enquanto a guerra continua a pôr vidas inocentes em risco, a paralisação do tráfego aéreo está a mudar a dinâmica de algumas das indústrias mais poderosas do mundo, incluindo a moda.

Voos cancelados interrompem embarques de fast fashion

Os voos cancelados no espaço aéreo do Médio Oriente não preocupam apenas o turismo de luxo da região, mas também as remessas de fast fashion, o lado menos glamouroso do setor da moda que enfrenta agora uma questão bastante complicada. As remessas de fast fashion provenientes de países transformadores no Sul da Ásia estão agora presas nos centros de produção ou nos respectivos aeroportos. A Reuters noticia que, de acordo com as últimas atualizações relativas ao ano de 2023, a Inditex (dona da Zara, Bershka, Massimo Dutti, Oysho e vários outros) teria 150 fornecedores no Bangladesh, 122 na Índia e 69 no Paquistão.

Em conversa com a Reuters, o director-geral de uma das empresas de fabrico de fast fashion no Bangladesh explicou que com o aeroporto do Dubai encerrado, a empresa está a procurar alternativas para enviar mercadorias para a Europa. No entanto, tudo — desde voos a rotas alternativas — agora custa mais. Algumas marcas estão a enviar por via marítima, mas esta opção também está a revelar-se cara: o Irão faz fronteira com o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas comerciais mais importantes do mundo, e o seu encerramento está a agravar ainda mais os custos não só para o transporte, mas também para a produção.

Subida do preço do petróleo também está a pesar sobre a indústria

O Estreito de Ormuz é um polo comercial crucial não só para o embarque de mercadorias, mas também para o transporte de petróleo. 20% da oferta global passa por esta rota, razão pela qual os preços do petróleo dispararam ao longo da semana passada: segundo a Sole24Ore, hoje foi atingido o recorde anual dos preços do petróleo, com uma subida de 23.38% para 119,5 dólares norte-americanos por barril.

O repórter Brian Baskin, jornalista que uma vez cobriu a indústria petrolífera, escreveu para a BoF que os principais problemas para a moda neste momento são a interrupção das viagens para as cidades mais ricas do Médio Oriente e um abrandamento geral nas compras, mas no futuro o setor que mais sofrerá será a cadeia de abastecimento. O transporte de mercadorias assistirá a aumentos de custos significativos tanto devido ao encerramento dos principais portos como ao preço do petróleo. Sem contar que o preço das fibras sintéticas — como o nylon e o poliéster, que estão entre os materiais mais utilizados na fast fashion — também vai aumentar. Segundo Baskin, as melhores soluções são as sustentáveis: o uso de fibras naturais, o fabrico mais próximo do consumidor, e maior aproveitamento de energias renováveis ao longo do processo produtivo.

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