Shein está agora a oferecer a sua cadeia de abastecimento como um serviço Agora outras marcas também podem usar a produção chinesa de fast fashion.

Para contrariar as consequências das tarifas, a Shein decidiu oferecer os seus serviços de fabrico também a marcas externas. Segundo a Bloomberg, a nova operação começou em agosto, com a gigante da fast fashion a começar a propor a utilização da sua cadeia de abastecimento a outras marcas. Shein promete entregar novos designs dentro de 5 a 7 dias, desde que os clientes abram uma loja digital no seu mercado chinês.

No entanto, não se trata apenas de manufatura. Os serviços da Shein também se estendem à consultoria de design, armazenagem e assistência com vendas, tudo a um preço ultra-competitivo para o mercado atual. Após quase dois anos de preparação e testes, a iniciativa foi formalizada com o lançamento do programa Xcelerator, que conta já com cerca de vinte marcas participantes. Entre eles estão a marca francesa Pimkie e o designer filipino Jian Lasala. Segundo a Bloomberg, a rede de fabrico construída no sul da China representa atualmente a única vantagem competitiva da Shein, com uma infraestrutura difícil de replicar e potencialmente capaz de sustentar o crescimento mesmo num ambiente comercial cada vez mais incerto.

O Xcelerator será suficiente para salvar Shein das tarifas?

A mudança representa um avanço estratégico significativo para a Shein, uma vez que transforma as suas relações com fornecedores num serviço que pode ser revendido a outras marcas. Um modelo que visa gerar uma fonte paralela de crescimento, enquanto as vendas diretas começam a desacelerar nos Estados Unidos após a remoção das isenções fiscais nos embarques da China. No entanto, mesmo que este novo modus operandi possa funcionar, também destaca o que parece ser um dos momentos mais críticos não só para Shein mas para todo o sistema global de baixo custo.

A recente crise das relações públicas, desencadeada pelo lançamento de um anúncio com um modelo gerado por IA semelhante a Luigi Mangione, foi apenas a mais recente de uma longa série de manchetes negativas para o mercado. Já no verão, Shein tinha recebido avisos do governo central de Pequim relativamente à deslocalização da produção para outros países, um pedido que surgiu apenas alguns dias antes de Donald Trump anunciar novas tarifas sobre a China. Em resposta, a empresa teria suspendido as inspeções que estava realizando com fornecedores no Vietname e outras partes do Sudeste Asiático.

Durante o mesmo período, Shein foi também multado em um milhão de euros pela Autoridade Antitruste italiana por práticas desleais e publicidade enganosa relacionada com a sustentabilidade ambiental. Num mercado onde o seu principal concorrente, Temu, já sofreu fortes perdas desde o início da guerra comercial entre a China e os EUA, mantém-se a questão: será que a abertura de uma das cadeias de fabrico mais controversas do mundo salvará verdadeiramente a Shein, ou apenas a expõe a novos escândalos?

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