
Geração Z renasceu ao casar E poderia pôr fim a uma noite de sono
A Geração Z já mostrou uma tendência para ir contra o grão face às gerações anteriores em várias vertentes, desde o álcool até à datação. Estão mais focados no bem-estar, tanto físico como mental, o que os faz parecer mais conservadores em comparação com a geração Millennial que lhes antecedeu. Embora as discussões sobre a recessão das relações estejam em curso há algum tempo, uma pesquisa recente publicada no Times sugere outra área em que a Geração Z difere das outras: a sua percepção do casamento e sexo casual. De facto, olhando para os dados, um terço dos jovens entre os 18 e os 27 anos acredita que um casal deve casar antes de ter filhos, enquanto apenas uma minoria (cerca de um quinto) considera o casamento “irrelevante”. Por isso, os jovens adultos desta geração parecem ser mais favoráveis ao casamento face às gerações anteriores, tal como no passado, até 39% dos jovens consideravam-no um ritual irrelevante.
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À primeira vista, estes dados podem sugerir uma tendência mais “conservadora” dentro da Geração Z, mas, na realidade, decorre de uma abordagem mais entusiasta do casamento e de uma mudança de paradigma na percepção do sexo. Este entusiasmo pelo casamento vem de encarar os casamentos como um ato reversível, com a ideia de que o divórcio é uma opção e não um fracasso, como era considerado no passado quando carregava um sentimento de culpa. Porque o casamento não é visto como algo eterno, é percebido como uma opção que vale a pena experimentar. “A sociedade rotula-nos como egoístas, e provavelmente também estamos em relacionamentos: não sentimos a necessidade de seguir sempre o caminho que a sociedade considera normal”, disse um dos participantes do estudo, oferecendo um reflexo claro da forma mais fluida como a Geração Z percebe as relações, sem sentir-se obrigado a seguir um curso predeterminado. No entanto, nem todos partilham desta opinião: alguns entrevistados reconhecem que os contratos de casamento e eventuais divórcios têm custos excessivos ou simplesmente não consideram o casamento de todo.
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— MissVEE (@VanessahKurora) June 21, 2024
A investigação do The Times aborda também o tema das relações casuais, e também aqui, a tendência aponta para um certo conservadorismo. Apenas 23% da Geração Z relataram que os seus amigos tiveram encontros sexuais casuais, uma queda acentuada em comparação com os 78% dos Millennials que responderam sim à mesma pergunta há vinte anos. Isto não se deve a uma aversão ao sexo casual em si mas sim à dificuldade em ter encontros de qualidade, em parte porque as aplicações de namoro são amplamente consideradas terríveis. Mesmo quando a Geração Z se envolve em encontros casuais, são cautelosos: apenas 16% disseram que os seus amigos podem fazer sexo sem proteção fora de uma relação de longo prazo, em comparação com 52% num inquérito de 2004. Outro declínio notável no inquérito é o consumo de pornografia, que diminuiu face aos anos anteriores. Segundo Harry Benson (diretor de investigação da Marriage Foundation), estas tendências conservadoras decorrem do comportamento reativo da Geração Z, contrastando com a inclinação da geração Millennial para a coabitação (em vez do casamento) e sexo casual. “Durante muito tempo, as pessoas acreditaram que o amor, a coabitação e ter filhos bastavam”, disse Benson ao Times, “mas a Geração Z parece estar a rebelar-se contra esta abordagem”.
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Os dados pintam um quadro em que a Geração Z vê a instituição do casamento com mais flexibilidade em comparação com o passado, ao mesmo tempo que demonstra desconforto com encontros de uma noite. A razão por trás desta abordagem menos casual do sexo talvez possa ser encontrada no ambiente hipersexualizado a que esta geração foi exposta desde tenra idade. O sexo é omnipresente, o conteúdo explícito é facilmente acessível e, como resultado, o sentido de transgressão que existia, por exemplo, para os Millennials, desvaneceu-se. Pensem nas séries de televisão do início dos anos 2000 (Sex and the City, por exemplo), que enquadravam o sexo casual como uma forma de empoderamento feminino e expressão sexual livre — enquanto que hoje, esta prática perdeu o seu apelo, mesmo ao ponto de parecer desanimadora. Até a indústria cinematográfica parece alinhar-se com esta perspetiva, reduzindo a presença de cenas de sexo em favor de menos momentos íntimos mas de maior qualidade. De um modo mais geral, há um crescente desinteresse em investir energia em encontros que parecem não levar a nada duradouro.












































