
Bernard Arnault recusa ser tributado Ele é o homem mais rico da França
O quinto homem mais rico do mundo, Bernard Arnault, manifestou-se nos últimos dias fortemente contra a nova proposta de imposto de 2% sobre os ultra-ricos franceses. A lei, avançada pelo economista Gabriel Zucman, está no centro de um debate acalorado dentro de um governo francês que já se encontra em águas turbulentas. A medida visaria exclusivamente os UHNWIS (Ultra High Net Worth Individuals), ou seja, aqueles com um património líquido superior a 100 milhões de euros. Apesar da proposta ainda não ter sido aprovada, conforme noticiado pelo Business Insider, o Partido Socialista está a pressionar fortemente o recém-eleito primeiro-ministro Sébastien Lecornu para garantir que o imposto esteja incluído no orçamento do próximo ano.
Segundo as sondagens, 86% dos eleitores apoiam a iniciativa de Zucman. A nova taxa, que afetaria pouco mais de mil famílias, deverá gerar cerca de 20 mil milhões de euros, montante suficiente para cobrir quase metade da dívida pública de França. Arnault, por outro lado, defende que tal medida estrangularia a economia do país, como afirmou numa entrevista ao Sunday Times: “Este não é um debate técnico ou económico, mas sim um desejo claramente expresso de destruir a economia francesa”. Para o homem mais rico de França, trata-se, portanto, de uma manobra ideológica da esquerda radical e não de uma verdadeira tentativa de restabelecer as finanças públicas. Arnault rotulou Zucman de “ativista de extrema-esquerda que usa a sua ideologia (destinada a destruir a economia liberal, a única que funciona para o bem de todos) a serviço de uma perícia pseudo-académica que é em si amplamente contestada”. Com uma fortuna estimada em 178 mil milhões de dólares e um império de luxo atrás dele, pergunta-se se um imposto de 2% poderia realmente colocar a família Arnault em crise.
O problema é o imposto ou os resultados da LVMH?
Bonjour M. Bernard Arnault, la fébrilité n’autorise pas la calomnie.
— Gabriel Zucman (@gabriel_zucman) September 20, 2025
Les milliardaires ne paient pas ou presque d’impôt sur le revenu et 86% des français ont raison de vouloir mettre fin à ce privilège https://t.co/WbtjKI30Q6
Zucman respondeu através do seu perfil X, sublinhando que nunca teve filiações políticas e apontando que a sua perícia económica é um pouco mais sólida que a do bilionário, uma vez que lhe foi atribuído a Medalha Clark, uma das mais prestigiadas honras da área. O economista também descreveu as acusações de Arnault como perigosas: “Esta retórica vinda de um dos homens mais ricos do mundo, numa altura em que a liberdade académica está ameaçada num número crescente de países, é perturbadora”. Afinal, a proposta iria simplesmente alinhar os regimes fiscais dos bilionários com os dos cidadãos comuns, proporcionando impostos à riqueza. Arnault defende, no entanto, que tal medida funcionaria como um dissuasor para as empresas francesas, que poderiam deslocalizar-se para paraísos fiscais. Zucman contrariou que a deslocalização de multinacionais inteiras seria impensável, como é o caso da própria LVMH.
Talvez, talvez, o que preocupa Bernard Arnault não seja tanto o imposto em si, mas sim como um -2% poderia sobrepor ainda mais as suas finanças, que no ano passado se revelaram não imunes à recessão do luxo. Aliás, segundo os relatórios de fim de ano relativos a 2024, até a LVMH terminou no vermelho, depois de ter perdido o seu lugar entre as cinco ações mais fortes da Europa. Em junho, foi noticiado que em apenas um ano a fortuna da Arnault tinha caído para 149 mil milhões de dólares, um colapso que gerou rumores de que o grupo francês de luxo estava a ponderar separar a sua divisão de moda e beleza da sua divisão de vinhos e bebidas espirituosas, separando a LV da MH. Até ao momento, nenhuma destas especulações provou ser verdade, mas o que é certo é que o maior conglomerado de luxo do mundo continua a viver com incertezas. Poderá o novo imposto ser a gota d' água?













































