
O que está por trás dos ataques de Trump às universidades dos EUA Os republicanos há muito acreditam que as instituições académicas são demasiado “esquerdistas”
Durante vários meses, a administração Trump lançou uma série de ataques diretos contra algumas das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, ameaçando revogar milhares de milhões de dólares em financiamento público alocado à investigação, especialmente na ciência. Em contrapartida, exige maior influência governamental sobre os critérios de admissão, programas académicos e, mais amplamente, a administração dos campi. A razão mais citada para estes ataques prende-se com a percepção — por parte dos republicanos — de que muitas universidades não fizeram o suficiente para prevenir episódios de antissemitismo ligados a protestos contra a guerra na Faixa de Gaza. No entanto, por trás desta justificação estão motivos políticos e culturais ligados a um ressentimento mais profundo em relação às instituições académicas, ligados a uma longa história de tensão entre a direita norte-americana e as principais universidades do país. Este conflito é também o resultado da crescente polarização política nos Estados Unidos, que se reflete mesmo nas escolhas educativas e nos níveis de educação entre a população. Enquanto os titulares não licenciados tendem a votar nos republicanos, os que têm um diploma universitário são mais propensos a apoiar o Partido Democrata.
@nbc10boston The lawsuit concerns the Trump administration’s freeze of $2 billion in federal funding for Harvard University programs and research. #nbc10boston #massachusetts #trump #harvard #lawsuit #news #video #fyp original sound - NBC10 Boston
A lacuna ficou evidente nas últimas eleições presidenciais, onde Kamala Harris recebeu muito mais votos do que Trump entre os eleitores com formação universitária. O que tem alimentado os recentes ataques da direita contra as universidades do país é precisamente a crença de que os campi dos EUA são dominados pela cultura progressista. Os republicanos há muito consideram quase todas as universidades do país como “de esquerda”, acusando-as de promoverem valores e ideologias que conflitam com princípios conservadores. Neste contexto, as propinas universitárias notoriamente elevadas nos EUA têm sido transformadas em arma pela retórica trumpiana para rotular as universidades como instituições ricas e de elite que exploram fundos públicos para promover a doutrinação. Naturalmente, esta é uma representação extremamente caricaturada da paisagem académica dos EUA, longe da realidade. Além disso, a administração Trump não fez nada para abordar a questão do aumento dos custos da educação, explorando em vez disso a questão para alimentar a sua retórica. O objetivo é deslegitimar as universidades aos olhos de parte do eleitorado, sugerindo que estas instituições estão agora mais focadas na formação de militantes políticos do que na preparação dos estudantes para carreiras profissionais: uma estratégia que visa minar a credibilidade das universidades e reduzir a sua influência cultural no país.
Quais as universidades que Trump tem como alvo
The #Trump administration has been targeting several U.S. #universities, accusing them of #anti-Semitism. However, the federal government letter, published by #Harvard on its site, reveals that the demands have more to do with governmental regulation than discrimination on campus pic.twitter.com/b7xkEoNYKV
— Sambavi Parthasarathy (@SambaviParthy) April 29, 2025
Sem surpresa, os ataques às instituições de ensino têm como alvo sobretudo os Estados que votaram democratas nas últimas eleições. Por exemplo, o governo suspendeu 2,2 mil milhões de dólares em financiamento a Harvard, no Massachusetts, em retaliação à sua oposição às exigências de Trump; em resposta, a universidade entrou com uma ação contra a administração presidencial, acusando-a de violar direitos constitucionais. Já a Universidade de Columbia, depois da ameaça de um corte de financiamento de 400 milhões de dólares, optou por cumprir as exigências do presidente. Outras universidades de prestígio também viram o financiamento reduzido: a Universidade de Cornell, localizada no estado de Nova Iorque, teve um corte de pelo menos mil milhões de dólares; a Brown University, com sede no pequeno estado de Rhode Island, viu uma redução de mais de 500 milhões de dólares no seu orçamento de investigação. A Northwestern University, localizada no Illinois, perdeu 790 milhões de dólares. A Universidade da Pensilvânia, localizada no estado do mesmo nome, sofreu um corte de 175 milhões de dólares, enquanto a Universidade de Princeton, em Nova Jérsia, viu os seus fundos reduzidos em 200 milhões de dólares. Além destas, dezenas de outras instituições de prestígio estão sob ataque, incluindo a Berkeley e a Universidade Johns Hopkins.













































