
Cada vez mais pessoas estão a comprar com isenção de impostos Apesar dos altos preços dos bilhetes
O setor do retalho de viagens, que lida com a venda de produtos em locais relacionados com viagens, como estações, aeroportos e terminais, deverá atingir um volume de negócios global impressionante até 2025, potencialmente ultrapassando os cem mil milhões de dólares. Este número surge de uma análise recente realizada pela ATRI (Associazione Travel Retail Italia) e relatada pela La Repubblica, que forneceu uma visão geral da saúde do setor e das tendências atuais. Apesar de o setor ainda estar a recuperar do duro golpe da pandemia, este ano assistiu a uma forte recuperação, particularmente impulsionada pelo regresso dos viajantes internacionais. No contexto mais amplo, a indústria do retalho de viagens enquadra-se num cenário de crescimento contínuo do tráfego aéreo, intimamente ligado às tendências globais do PIB. As estimativas futuras são otimistas, com um aumento anual projetado do tráfego aéreo de 1,7% em 2024 e um aumento adicional de 1,8% em 2025. Olhando mais adiante, o número global de passageiros deverá aumentar em média 3,4% ao ano até 2040, levando a um adicional de quase 4 mil milhões de passageiros.
No geral, a taxa composta de crescimento anual (CAGR) do setor tem vindo a melhorar constantemente: de 2019 a 2025, está estimada em 7,5%, demonstrando uma recuperação robusta que viu os volumes de vendas nas estações e aeroportos italianos excederem os níveis pré-lockdown. Um fator-chave nesta recuperação é a redução do limiar de compras isentas de impostos, descido de 154,95 para 70,01 euros, uma medida introduzida pelo Ministério do Turismo em fevereiro de 2023. Segundo Stefano Gardini, presidente da ATRI, que a discutiu com o La Repubblica, esta alteração tem tido um impacto positivo, contribuindo para resultados que ultrapassam os do retalho tradicional, prevendo-se que os desempenhos continuem a melhorar até ao final deste ano. Estes desenvolvimentos terão certamente um impacto positivo no setor, embora subsistam desafios, como o declínio das viagens de vingança, ou a potencial subida de aeronaves de corpo estreito para voos de longo curso, o que poderá reduzir o tráfego nos principais hubs, impactando os espaços comerciais dos aeroportos. A ATRI destaca ainda o surgimento de novos consumidores, particularmente de países asiáticos como o Vietname e as Filipinas, o que poderá trazer novas dinâmicas de compra. Esta tendência sugere a necessidade de adaptar as ofertas comerciais para responder às diversas necessidades e preferências destes novos grupos de consumidores.
Os hábitos de compra dos viajantes são influenciados por vários fatores. Um inquérito recente revelou que os consumidores são motivados principalmente pela boa relação qualidade/preço, com 26% dos inquiridos a considerá-lo o fator mais importante, seguido da conveniência, que afeta 19% dos inquiridos, e do tempo disponível para a escolha, citado por 17%. Outros fatores-chave incluem a fidelidade à marca, mencionada por 16%, e a interação com o pessoal de vendas, que desempenha um papel crucial na experiência de compra. 50% dos compradores afirmaram que interagem com assistentes de vendas, e entre eles, 73% disseram que os conselhos que receberam influenciaram positivamente as suas decisões de compra. Outro ponto interessante diz respeito ao tipo de compras: 51% dos viajantes compram para si, 25% compram presentes, 16% escolhem produtos para partilhar no regresso, e 8% compram mediante pedido. Adicionalmente, cerca de um terço dos compradores fazem compras por impulso, sem planeamento específico. Este comportamento é particularmente evidente nos locais de viagem, onde a disponibilidade imediata de produtos atrai os consumidores.













































