Receitas da Miu Miu não conseguem parar de crescer Na tempestade da crise do luxo, a marca está a velejar em rolo

Enquanto a procura por bens de luxo está a despenque, com grupos como LVMH e Kering a continuarem a registar quedas de receitas, em Itália o Grupo Prada está a ir muito bem. Ontem, a empresa partilhou os resultados do primeiro semestre da marca Miu Miu, que registou quase uma duplicação total das vendas. Com um crescimento impressionante de 93% face aos primeiros seis meses de 2023, a marca volta a afirmar-se como um dos principais nomes do panorama da moda de luxo. Entretanto, as vendas a retalho da Prada aumentaram 6%, reportando uma ligeira desaceleração face ao início do ano. Com estes resultados, o Grupo Prada pode considerar-se a salvo da crise do luxo: a empresa reportou um aumento das receitas líquidas de 17% para 2.55 mil milhões de euros.

Identificar o que faz da Miu Miu uma marca forte é simples. Como afirmado anteriormente num artigo sobre a importância da “estabilidade da marca”, uma qualidade que está a ajudar maisons como a Hermès e a Zegna, existem dois valores que uma marca de moda nunca deve abrir mão se quiser manter os seus clientes: qualidade e estabilidade (media, artística, diretiva). Em Miu Miu, estes dois fatores estão bem estabelecidos, formando bases sólidas para a marca, e permitindo que o lado criativo se solte sem se desviar muito das suas raízes. Ao escolher rostos populares e jovens como Emma Corrin, Troye Sivan, Gigi Hadid e Sydney Sweeney, mas também talentos que podem ser chamados de “mais intelectuais”, como Mia Goth, Kristin Scott-Thomas, Angela Molina e Ethel Cain, a Miu Miu percorre um caminho menos percorrido que satisfaz os desejos da Geração Z e dos amantes da literatura, arte, cinema e assim também uma moda cerebral. O mesmo poderia dizer-se da Loewe, que ao lado de Miu Miu conquista continuamente o título da marca mais quente do momento segundo o ranking Lyst.

Talvez a verdadeira força da Miu Miu seja que a marca não precisa de grandes revoluções para se manter relevante. Desde as primeiras coleções da marca, nos anos 90, a segunda linha da Prada sempre se destacou pela atenção às novas gerações, mas sobretudo aos seus interesses. Não só reproduz tendências e imagens seguindo o que já atrai gostos e partilhas, mas procura encontrar novas trajetórias, com rostos familiares mas com direções artísticas inesperadas, com artistas consagrados mas também emergentes. Se já nos seus primeiros anos as campanhas da Miu Miu traziam a assinatura de criativos brilhantes (e atuais, que é o mais importante) como Eli Wakamatsu, Nancy Rohde, David James e Horst Diekgerdes, hoje faz o mesmo com Miranda July, a estilista Lotta Volkova, Sam Levy, Isabel Sandoval e Meriem Bennani: e é precisamente nesta contínua renovação que reside a sua “estabilidade de marca”. Porque mesmo que os produtos possam vender-se a si próprios, é a magia narrativa que construímos em torno deles que faz a diferença.

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