La freschezza ingenua dei brand di surfwear degli anni 2000 Quando i Millennial italiani sognavano la California

Houve uma época, entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2000, em que os guarda-roupas dos adolescentes italianos se encheram de camisetas cobertas de tubarões, surf, flores, caveiras mexicanas e pores do sol sobre o oceano. O sucesso dessa onda pode ser atribuído a um conjunto de marcas proto-streetwear que pegaram a cultura do surf californiana e havaiana e a converteram numa linguagem visual pop, enérgica e vagamente agressiva. Maui & Sons, Scorpion Bay, Billabong e Quiksilver são as principais, mas poderíamos citar também as mais obscuras North Shore, Piko, Gotcha e T&C Surf.

Todas essas marcas compartilhavam não apenas uma vocação para o surf, mas também um gosto por letreiros vintage ou futuristas, influências extraídas das tatuagens "tribais" de Leo Zulueta e de Ed Hardy que faziam sucesso nos anos 90, e um apelo a mundos exóticos e estivais que transmitiam uma sensação de aventura e adrenalina.

A iconografia típica dessas marcas bebia nas paisagens e culturas do Pacífico Sul, filtradas e reinterpretadas pelo prisma da moda comercial americana, cujo tema visual "tropical" e a edginess (imagine os tubarões robóticos da Maui & Sons que pareciam rugir a partir das estampas de suas famosas camisetas) tornaram-se uma espécie de símbolo para os adolescentes millennials, deixando traços inesperados em seu futuro.

As melhores marcas de surfwear vintage

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Seria impossível, no decorrer desta análise, não mencionar a marca que reinventou o surfwear: Stüssy. Na época, porém, ela ainda não havia alcançado — pelo menos na Itália — o status de culto que desfruta hoje. Tanto a Stüssy quanto essas marcas de surfwear compartilham as mesmas origens no tempo e no espaço — frequentemente agrupadas em torno dos grandes polos internacionais do surf e das décadas de 70 e 80, com uma margem de alguns anos.

A Quiksilver, por exemplo, foi fundada em 1969 em Torquay, na Austrália; a T&C Surf Designs nasceu em Pearl City, no Havaí, em 1971; em 1978, Michael Tomson e Joel Cooper fundaram a Gotcha em Laguna Beach, cujo designer gráfico não era outro senão Shawn Stussy; a Billabong foi fundada dois anos depois em Queensland, também na Austrália; após deixar a Gotcha, Shawn Stussy fundou sua marca homônima em Laguna Beach em 1980, o mesmo ano em que a Maui & Sons nasceu em Malibu; a Scorpion Bay foi fundada por dois surfistas californianos em 1987; enquanto em 1994, em Honolulu, Kevin Kamakura e Wade Morisato fundaram a Piko. Por último vem a Hollister, concebida em laboratório pelos donos da Abercrombie & Fitch em 2000, que chegaram a inventar uma falsa origin story para fazê-la parecer mais "histórica" e enraizada no imaginário das praias da Califórnia.

O caso Hollister por si só demonstra a força da tendência naqueles anos: apenas para explorar o charme da cultura do surf e do estilo de vida californiano, uma rede varejista estava disposta a inventar um fundador do nada e construir fachadas de lojas que lembravam casas de Malibu.

A chegada à Itália

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As marcas de surfwear mais consolidadas, no entanto, chegaram à Itália "com atraso", na esteira de uma série de acordos de licenciamento, dos quais os mais significativos foram a aquisição da licença da Maui & Sons para a Itália por Maurizio Cocchi em 1986 e a da Scorpion Bay pela família Mistri em 1992, que se tornou uma aquisição completa em 2007. As licenças comerciais para a Itália tornaram essas marcas "novas" no país, mesmo que já tivessem mais de uma década de história.

Não é preciso descrever muito como a chegada delas ajudou a criar a tardia cultura das mall brands na Itália, que assistiu à ascensão de uma série de marcas efêmeras que se tornaram tão associadas ao universo adolescente e pré-adolescente daqueles anos que ainda hoje parecem presas nessa época — dolorosamente ultrapassadas. No entanto, essas marcas de moda, fossem internacionais ou nacionais, estabeleceram uma koiné estilística comum em aquele vasto multiverso que era a Itália provinciana — um mundo que no início dos anos 2000 (e em menor medida ainda hoje) era completamente alheio à ideia de moda e tendências, congelado numa imobilidade respeitável que apenas a chegada do fast fashion da Zara e da H&M, com seu séquito de marcas de fast fashion, conseguiu sacudir — sem chegar a despedaçá-lo.

Os adolescentes daquela época, que haviam crescido com Transformers, Bionicle, Gargoyles da Disney, animes como GTO e desenhos animados como Street Sharks, encontraram nos gráficos havaianos da Maui & Sons e da Scorpion Bay o sopro de um mundo a meio caminho entre a fantasia infantil dos brinquedos e dos desenhos e a emoção mais adulta da aventura e do imaginário do surf californiano.

Surfwear: da subcultura à moda internacional

Olhando para elas retrospectivamente, todas essas marcas de surfwear têm algo em comum: a mesma linguagem visual, a mesma ênfase nos gráficos que adornavam peças básicas como camisetas, moletons e roupas de banho, e a mesma obsessão com o logotipo, repetido e variado em fontes sempre diferentes.

Eram peças de sportswear, mas sem a ambição ou o aspiracionalismo atlético das marcas mais propriamente voltadas para o esporte — tinham pouco a ver com as especificidades técnicas do equipamento de surf "de verdade", e sobretudo eram vendidas a um público adolescente, como o italiano, relativamente alheio a essa cultura. Em outras palavras, essas marcas de surfwear dos anos 2000 vendiam um certo tipo de fantasia — ou, como Hampton Carney, da Abercrombie & Fitch, disse certa vez: "É mais sobre o estilo de vida e a inspiração do que sobre a atividade em si."

Um mecanismo — o da lifestyle inspiration — que a moda já possuía há muito tempo, mas que nos últimos anos foi levado a um novo patamar: da Casablanca e da Miu Miu lançando um olhar sobre o mundo dos tenistas, à fascinação perene de Hedi Slimane por motociclistas, suas acrobacias e suas jaquetas de couro; da Gucci reinterpretando a estética do running com a adidas e repensando os acessórios equestres, à Jacquemus transformando equipamentos de mergulho em it-bags. Mais recentemente, foi a Louis Vuitton Men que voltou seu olhar para o mundo do surf, elevando a estética a uma forma extrema de luxo, apresentada diante de uma enorme onda artificial erguida no coração de Paris.

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E, no entanto, seja na moda ou no streetwear, desde aqueles anos não vimos uma tendência unificadora ou uma inspiração de estilo de vida que molde uma marca inteira e se torne um "fenômeno" observável e sustentado da forma como o surgimento das marcas de surf foi nos primeiros anos 2000.

Numa era pós-streetwear, após a embriaguez dos gráficos e do branding que levou muitas marcas de médio alcance a perder a ambição de cultivar uma personalidade verdadeiramente única — tornando-se cada vez mais genéricas com um apelo de "amplo espectro" —, o caso das marcas de surfwear daqueles anos se apresenta como uma lição sobre a importância do conceito e do aspiracionalismo pop, que não precisa necessariamente ser sinônimo de luxo.

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