
Valentino precisa de dinheiro Por isso, a Kering e a Mayhoola contribuíram com 100 milhões de euros para a empresa
A crise não poupará ninguém. Falava-se na indústria que Valentino, atualmente cogerido pelos Qatari Mayhoola e Kering, não estava a ir muito bem, no meio da saída do CEO de longa data Jacopo Venturini por motivos pessoais, <a href=” https://it.fashionnetwork.com/news/Giammetti-lo-stile-va-difeso-come-la-liberta-,1714163.html#:~:text="Il rapporto tra heritage del marchio e strategia aziendale”, sentenzia forse guardando al nuovo Valentino disegnato da Alessandro Michele, “deve ser representado por diretores criativos, não copiar o arquivo, mas não pode ser transferido para una buffonata”.” target="_blank” rel="noopener">jabs públicos e relatórios do Il Foglio e Corriere della Sera sugerindo um clima turbulento e vendas em declínio e uma renegociação dos acordos para a aquisição total da Kering. Hoje há uma nova certeza: Valentino precisa de dinheiro, e os proprietários injetaram 100 milhões de euros nos cofres da marca.
Um bilião de euros em dívida?
Tal como explica a BoF, esta injeção de capital foi motivada pelas exigências de um consórcio de bancos entre os quais o Intesa Sanpaolo, o BNP Paribas, o BPM, o Monte dei Paschi di Siena, e ainda o fundo estatal italiano Cassa Depositi e Prestiti, que no ano passado emprestou coletivamente à marca 530 milhões de euros. Segundo o acordo, de seis em seis meses, nos quatro anos seguintes, tinha de ser verificado o chamado “índice de alavancagem”, indicador financeiro que compara a dívida de uma empresa com a sua capacidade de gerar lucro. Na prática, um sinal de desconfiança.
Segundo a BoF, a marca não conseguiu cumprir algumas dessas obrigações (não está claro quais), empurrando os vários credores a pressionar os donos da marca. A ideia era injetar novos fundos nos cofres da empresa para evitar problemas maiores como incumprimento ou reestruturação forçada. Nenhum dos dois co-proprietários divulgou um comunicado, mas é claro que os riscos para a marca são bastante concretos, se não existenciais. Aliás, segundo os relatórios financeiros também comentados pela Bloomberg em setembro passado, as dívidas de Valentino ascenderam a cerca de mil milhões de euros.
Mas será que podemos realmente chamar-lhe crise?
@nssmagazine For Pier Paolo Pasolini, fireflies symbolized the ability to endure even the darkest night. Alessandro Michele drew inspiration from this for Valentino’s SS26, bringing to the runway a story of resistance and light. What do you think? #valentino #tiktokfashion #pfw #alessandromichele #fashionshow Talk to Her - The Marías
Os números podem sugerir que a marca tem um problema de popularidade, mas não é o caso. Apesar de uma ligeira quebra nas vendas, a questão reside nas despesas internas. Em abril passado, o relatório anual da marca revelou que em 2024 as receitas totais tinham caído ligeiramente, mas a marca cresceu menos que a inflação. A rentabilidade pura — líquida de juros, impostos e depreciações — caiu 22%, o que significa que os custos internos aumentaram mas não foram compensados pelo crescimento.
É preciso também dizer que a forte instabilidade económica deste ano, o aumento das tarifas aduaneiras e a desaceleração dos mercados-chave fazem parte do quadro. Nos últimos meses, a marca tem-se focado em cortar vendas por grosso e vender através dos seus próprios canais diretos. Isso levou ao crescimento deste último (incluindo fragrâncias e beleza, que supostamente estão indo bem) mas a um colapso de 20% nas vendas de terceiros através de boutiques multimarcas e grandes varejistas online.
Em suma, existem problemas e pressões definitivamente graves, mas a questão não é apenas sobre vendas. De facto, o declínio de 2-3% reportado para 2024 sugere que a marca se manteve relativamente estável. O problema reside nos gastos da marca, talvez excessivos, que agora a colocaram numa posição precária. Também aqui podemos assumir que o novo CEO da Kering, Luca De Meo, poderá intervir para tornar os custos mais eficientes, seguindo a nova estratégia já em aplicação na empresa-mãe. Em todo o caso, o veredicto sobre a nova direção da marca virá com os resultados anuais a serem publicados na próxima primavera.
Takeaways
- — Valentino recebeu uma injeção de dinheiro de 100 milhões de euros da Kering e Mayhoola para evitar riscos de incumprimento, depois de ter violado convênios sobre um empréstimo bancário de 530 milhões de euros, com dívidas totais próximas de mil milhões.
- - As vendas mantiveram-se estáveis com uma queda modesta de 2— 3%, mas o EBITDA caiu 22% devido aos elevados custos internos não compensados pelo crescimento.
- — A instabilidade económica global, o aumento das tarifas, e uma estratégia focada nos canais diretos (com -20% no atacado mas crescimento no retalho e beleza) têm ampliado as dificuldades.
- — A nova liderança da Kering, no âmbito de Luca De Meo, visa otimizar custos; os resultados de 2025, esperados na primavera, vão revelar quão eficaz é esta nova direção.













































