Será finalmente o fim das redes sociais tal como as conhecemos? Sobretudo no Ocidente, onde os utilizadores estão longe de estar entusiasmados com as regras que os regem

Nos últimos anos, as redes sociais continuaram a crescer em termos de número de utilizadores e volume de receitas, confirmando o seu papel central na vida quotidiana de milhões de pessoas; sem surpresa, as empresas que as dirigem permanecem entre as mais ricas e influentes do mundo. Ao mesmo tempo, porém, é claro que as plataformas individuais estão a atravessar uma fase de profunda transformação — com todas as consequências que isso implica. Plataformas que durante quase duas décadas moldaram a experiência online de inúmeros utilizadores mudaram rapidamente a sua forma e função: a partir de ambientes relacionais, tornaram-se sistemas que mais se assemelham a redes de distribuição de conteúdos, impulsionados por algoritmos cada vez mais poderosos.

Iniciativas recentes de empresas como a Meta e a OpenAI tornam esta mudança particularmente evidente. Por exemplo, o lançamento de plataformas baseadas exclusivamente em vídeo gerado por IA, como o Vibes e o Sora, marca um novo afastamento da ideia original das redes sociais, reduzindo a importância da dimensão relacional online. Essencialmente, estes ambientes deixam de ser acedidos para partilhar experiências pessoais, mas para consumir — enquanto espectadores passivos — fluxos de conteúdo.

A transformação dos alimentos e a perda da dimensão social

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A profunda mudança dentro das plataformas é o resultado de um processo que começou há algum tempo. Ao longo dos anos, as plataformas têm confiado cada vez mais nos algoritmos e na sua lógica subjacente, ao ponto em que a maior parte do conteúdo mostrado já não depende das pessoas que escolhem seguir, mas do que é mais provável captar e reter a atenção a nível individual. Este modelo, popularizado pelo TikTok, foi posteriormente adotado também pelo Facebook e Instagram, remodelando significativamente a experiência do utilizador nas redes sociais.

Os dados publicados pelas próprias plataformas confirmam esta tendência. O conteúdo partilhado por amigos e contactos diretos está em constante declínio, enquanto o material produzido por criadores, páginas temáticas e colocações publicitárias continua a crescer. Esta dinâmica tem tido repercussões diretas na forma como as pessoas utilizam as redes sociais: hoje, publicar conteúdos pessoais significa expor-se a um público cada vez mais amplo e indefinido, recebendo muitas vezes visibilidade limitada em troca. Portanto, não surpreende que muitos utilizadores tenham parado de publicar regularmente, optando por simplesmente consumir o que aparece no seu feed. Como resultado, a participação diminui ainda mais, e as plataformas funcionam cada vez mais como meros canais de distribuição de conteúdos.

Os utilizadores ocidentais odeiam as redes sociais tradicionais?

A nível global, o número de utilizadores ativos das redes sociais continua a ser muito elevado, em grande parte graças ao crescimento nos países em desenvolvimento. No Ocidente, no entanto, o quadro é diferente: a base de utilizadores é relativamente estável ou ligeiramente em declínio, e ao mesmo tempo o número médio de plataformas utilizadas por cada indivíduo está a encolher. O sinal mais significativo diz respeito ao tempo gasto nas plataformas. Após ter atingido o pico em 2022, o consumo médio diário começou a diminuir gradualmente mas de forma constante. E para as empresas cujos modelos de negócio são construídos em torno da captura da atenção do utilizador, esta métrica é muito mais importante do que o simples número de utilizadores registados.

As causas desta fadiga são múltiplas. Por um lado, a proliferação de conteúdos gerados automaticamente de qualidade questionável torna a experiência repetitiva e insatisfatória. Por outro lado, o afrouxamento das políticas de moderação aumentou a exposição a conteúdos controversos e desinformação. Em resposta a este cenário, o interesse está a crescer em ambientes digitais menos lotados e menos dependentes de algoritmos — como chats em grupo, canais temáticos, fóruns e newsletters. Estes espaços operam de acordo com lógicas que diferem das redes sociais contemporâneas: o objetivo não é atingir o maior público possível, mas construir relações mais ou menos estáveis em torno de interesses partilhados.

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