Começou um julgamento nos EUA para determinar se as redes sociais causam dependência E se precauções extras precisarem ser tomadas

Esta semana, um tribunal de Los Angeles abriu um processo acusando as redes sociais de criarem dependência. Os arguidos são a Meta, o YouTube, e o TikTok (que acaba de ser adquirido por uma empresa norte-americana para permanecer no país), acusados, de acordo com as acusações, de terem criado um produto nocivo aos utilizadores. A agravar a situação para as três empresas está a observação do tribunal de que os executivos das empresas estavam cientes dos efeitos produzidos pelas plataformas nos utilizadores, mas nada fizeram para os limitar. No julgamento, que poderá durar várias semanas, os altos executivos dos três grupos deverão testemunhar.

Os controlos parentais não são suficientes

@kattianamaturana

one week in

let me prove my love to you - fss

A principal acusação contra as três empresas diz respeito ao vício que criam entre os jovens. Apesar do TikTok, Meta e YouTube terem introduzido funcionalidades de segurança para proteger os menores nas suas plataformas, há algum tempo pais, professores, psicólogos e investigadores têm denunciado os efeitos destrutivos que o uso destas ferramentas tem nas mentes jovens. Uma das características que está a ser posta em causa é precisamente a capacidade de editar fotos com filtros e apps, o que segundo a acusação poderia intensificar problemas como dismorfia corporal, stress, e depressão.

Redes sociais como jogos de azar ou cigarros

@opal Emma Chamberlain shared that she deleted TikTok because she was dangerously addicted to it. Not everyone is this honest about how their online habits negatively impact them. #emmachamberlain #chamberlaincoffee #fyp #colinandsamir original sound - Opal

Em todas as apps envolvidas, como Instagram e TikTok, a rolagem é infinita, um loop infinito de conteúdo que mantém os utilizadores colados ao ecrã. Estudos recentes têm demonstrado que a rolagem produz no cérebro o mesmo efeito que as drogas ou as máquinas caça-níqueis, com o movimento de ativação a imitar o das máquinas de jogo. No entanto, a forma como a investigação será tratada não se referirá à dependência do jogo, mas sim à da nicotina.

Há anos atrás, os fabricantes de cigarros tinham sido acusados de conhecer os efeitos nocivos dos seus produtos, mas não fazerem nada para informar os consumidores. Assim como na altura as empresas de tabaco eram forçadas a modificar os seus anúncios, acrescentar avisos específicos, e compensar alguns clientes que as tinham processado, o mesmo destino poderia agora acontecer com Meta, TikTok e YouTube.

O caso KGM e o alerta dos médicos

A força motriz por trás deste caso sem precedentes parece ser a KGM, as iniciais de um jovem de dezenove anos que há dois anos processou o TikTok, o Meta, o Snap e o YouTube por criarem funcionalidades que causam dependência, prejudicam a saúde mental e levam a pensamentos auto-lesivos e suicidas. Para já, a TikTok concordou em resolver o caso com um acordo confidencial um dia antes de ir a tribunal, enquanto a Snap o fez na semana passada. Esta nova acusação, recentemente aberta em tribunal, mantém-se agora.

A somar ao caso da KGM está também um artigo de opinião recente publicado pelo New York Times e escrito pelo cirurgião-geral Vivek Murthy. No artigo, publicado em 2024, Murthy insta as plataformas a acrescentarem avisos informando os utilizadores e pais de que as redes sociais podem prejudicar gravemente a saúde mental dos jovens.

A julgar pela forte reação mediática que ambos os eventos têm recebido, é possível que as empresas arguidas não escapem facilmente ao assunto. Um acordo como os alcançados no caso da KGM não será suficiente, e talvez nem mesmo um aviso nas plataformas seja suficiente. Para saber o destino das redes sociais, será necessário aguardar a decisão do tribunal da Califórnia, perante a qual Mark Zuckerberg e o CEO do YouTube Neeral Mohan também poderão ter de testemunhar.

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