Participantes do Coachella estão a endividar-se só para comparecerem ao festival Um novo relatório mostra que mais de metade dos participantes continuam a pagar os seus bilhetes

Nas últimas horas, os vídeos que documentam os preços do Coachella têm vindo a tornar-se virais. Para além do custo dos bilhetes, que este ano vão dos 700 dólares aos 1400 dólares, até a comida representa uma despesa proibitiva, com os jantares mais “básicos” (que nem incluem serviço de mesa já que são take-away) a custarem cerca de 100 dólares. Com toda a conversa sobre a crise económica e a segunda recessão americana, não podemos deixar de nos perguntar que tipo de empregos os festivaleiros têm para pagar tal luxo. Para além dos vários influenciadores e celebridades convidados para o Coachella por marcas ou amigos performer, há pessoas que pagaram a viagem dos seus próprios bolsos. No entanto, um novo relatório da Billboard mostra que muitos deles ainda não pagaram integralmente: mais de metade (60%) dos participantes do Coachella 2025 estão a comprar bilhetes através do plano de parcelamento, compre agora paga depois. O Coachella não é o primeiro festival a oferecer este serviço, com o Lollapalooza e a Rolling Loud a terem introduzido sistemas semelhantes. Este ano, no Coachella, foi possível participar fazendo um pagamento inicial de apenas $49,99 — mas durante quantos meses as pessoas vão pagar por uma experiência que dura apenas alguns dias?

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Este ano, segundo a Billboard, aqueles que começaram a pagar a admissão do Coachella antes do anúncio do lineup em janeiro conseguiram dividir os custos em três transações. O festival não utiliza plataformas como a Klarna, provavelmente devido a impostos, mas depende em serviços oferecidos por empresas de bilheteira como a Ticketmaster e a Frontgate. Os organizadores do Coachella são pagos à medida que os participantes liquidam os seus saldos (enquanto que com outros serviços buy now pay later, a plataforma paga integralmente adiantado e recolhe o dinheiro ao longo do tempo). Para usar o plano, os compradores devem pagar uma taxa de 41 dólares, que é dividida igualmente entre a empresa de emissão de bilhetes e o Coachella. Mas o serviço não é novo: o festival californiano oferece-o desde 2009, ano em que foi utilizado por 18% dos participantes. Embora o sistema possa parecer a melhor solução para os fãs que querem assistir sem ir à falência, o facto é que eventos como este atingiram preços exorbitantes. É ainda mais intrigante que as pessoas estejam dispostas a endividar-se apenas para participar.

Como referimos num artigo recente, o Coachella já não se encontra no Coachella. Este ano, o festival foi mesmo comparado ao flop do Fyre Festival, já que alguns participantes que chegaram cedo para conseguir locais de acampamento foram forçados a esperar longas horas apenas para entrar, tomar um banho ou buscar água. Este tipo de cenas já não são raras — então porque é que as pessoas continuam a gastar milhares de dólares só para lá estarem? Como é frequentemente o caso nesta nova era do consumo, a resposta está na nostalgia: já se foram os dias em que o festival traçou as tendências, em que as imagens do Coachella romantizavam a sua estética e estilo de vida. Talvez tenhamos saudades porque faz tanto tempo. Endividar-se, no entanto, não trará de volta coroas de flores e franjas boho-chic.

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