
O que esperar do novo mandato de Trump O que nos espera depois de ele tomar posse, enfim
O Congresso dos Estados Unidos validou o resultado das eleições presidenciais de novembro, vencidas por Trump e pelo Partido Republicano. Era apenas um procedimento formal, mas várias medidas de segurança tinham sido ativadas porque da última vez — a 6 de janeiro de 2021 — os apoiantes de Trump invadiram o Congresso, tentando impedir a certificação. A tentativa sem precedentes resultou em centenas de ações judiciais e julgamentos, e Trump foi indiciado por alegadamente tentar anular os resultados de uma eleição legítima. Ao contrário do seu adversário, este ano a candidata democrata Kamala Harris reconheceu imediatamente a sua derrota, contactando Trump no dia seguinte para o felicitar conforme tradição. Após a sessão do Congresso, presidida pela própria Harris (enquanto vice-presidente cessante), terá lugar a tomada de posse do candidato republicano, iniciando oficialmente o seu segundo mandato a 20 de janeiro. O futuro Presidente dos Estados Unidos já deu a entender o que o mundo pode esperar do seu novo mandato durante uma conferência de imprensa ontem em Mar-a-Lago. Trump declarou que a força militar não estaria descartada para uma possível aquisição do Canal do Panamá e a anexação da Gronelândia, declarações que abalaram profundamente a política internacional.
We are living in the stupidest of times...
— Brian Krassenstein (@krassenstein) January 7, 2025
Trump: "We're going to be changing the name of the Gulf of Mexico to the Gulf of America."
I feel like we are being led by Patrick from SpongeBob. pic.twitter.com/cxX6txN1HR
Uma vez que Trump já desempenhou funções de Presidente, é fácil antecipar as posições e medidas que vai promover. O próprio afirmou repetidamente que, em caso de vitória, continuaria ou reativaria muitas das políticas implementadas durante o seu tempo na Casa Branca — entre 2017 e 2021. Uma das alterações mais notáveis face à administração de Biden será provavelmente na política externa. Trump tem um forte fascínio por líderes autoritários, quer ocidentais quer não ocidentais: entre outros, está particularmente próximo do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Adicionalmente, Trump já deu a entender que pretende reduzir ou travar completamente o fornecimento de armas e apoio financeiro à Ucrânia. Há também especulações de longa data sobre a possibilidade de os Estados Unidos saírem da NATO, a aliança militar que liga o país à maioria dos Estados ocidentais. A preocupação é que os EUA reduzam substancialmente o seu compromisso de defender os países europeus contra a política externa cada vez mais agressiva da Rússia.
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Relativamente ao comércio, Trump já anunciou o regresso de tarifas pesadas (ainda mais elevadas do que as impostas no passado), não só aos produtos chineses mas também aos bens europeus: o objetivo é incentivar a produção e compra de bens de fabricação americana. Este será um problema significativo, especialmente para os países europeus que baseiam as suas economias nas exportações e construíram uma importante relação comercial com os Estados Unidos ao longo do tempo. Trump anunciou também um plano para deportar todos os imigrantes sem documentos que vivem no país — cerca de 11 milhões de pessoas. Embora o projeto seja praticamente inviável, sublinha que Trump assumirá posições muito duras sobre a imigração e vai quase certamente procurar minimizar o número de indivíduos estrangeiros autorizados a deslocar-se para os Estados Unidos. Além disso, assim que Trump assumir o cargo, provavelmente começarão as discussões sobre tornar o acesso ao aborto mais restritivo. Embora durante a campanha o candidato republicano tenha afirmado que não mudaria o direito ao aborto, mais tarde fez observações contraditórias sobre o assunto. Neste contexto de incerteza, é provável que os seus apoiantes mais radicais — como a direita cristã — pressionem Trump a aprovar medidas mais rígidas para controlar a gravidez.
Como vão ser compostos os quadros de Trump
I am thrilled to announce Robert F. Kennedy Jr. as The United States Secretary of Health and Human Services (HHS). For too long, Americans have been crushed by the industrial food complex and drug companies who have engaged in deception, misinformation, and disinformation when it…
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) November 14, 2024
Para o seu segundo mandato, Trump escolheu o seu staff principalmente com base na lealdade pessoal e no alinhamento com a sua visão ideológica. No entanto, como assinala o New York Times, à medida que novos nomes são revelados, outra tendência está a tornar-se clara: Trump parece estar a selecionar deliberadamente os indivíduos menos adequados para liderar as próprias agências que, segundo ele e os seus apoiantes, mais o obstruiram durante o seu primeiro mandato. O último exemplo disso é a nomeação de Robert Kennedy Jr. para Secretário da Saúde, um conhecido teórico da conspiração e promotor de teorias anti-vacinas. Esta escolha parece deliberadamente provocativa e em desacordo com as necessidades do sector. Esta estratégia não se limita aos cuidados de saúde mas é ainda mais evidente nas consultas relacionadas com agências de segurança e justiça. Aqui, Trump optou por figuras muitas vezes consideradas não qualificadas, extremamente radicais e, em alguns casos, abertamente hostis às próprias instituições que deveriam liderar. De acordo com muitos observadores, estes indivíduos não só carecem de experiência como parecem movidos por uma abordagem subversiva que visa minar as estruturas que se destinam a fortalecer.













































