
Nas redes sociais, a religião está a ficar forte Muito mais do que se poderia imaginar
Nos Estados Unidos, um dos sucessos editoriais de 2024 é representado pelo boom de popularidade da Bíblia. Este ano, as vendas do texto sagrado no país aumentaram mais de 20%: um número notável, especialmente quando comparado com o crescimento global de menos de 1% no mercado de livros impressos. Conforme noticiado pelo Wall Street Journal, o aumento é provavelmente alimentado por preocupações crescentes sobre a economia, conflitos internacionais, e incerteza política, particularmente entre a Geração Z. No entanto, há mais: os editores atribuem o interesse renovado na Bíblia a estratégias de marketing direcionadas e à disseminação de conteúdo específico nas redes sociais. Nos últimos anos, foram publicadas novas edições do texto sagrado com designs minimalistas e modernos, atraindo um público mais jovem e diversificado. A marca Alabaster especializa-se exatamente nisso: a empresa produz textos sagrados e livros religiosos de alta qualidade, com forte foco na estética. Por exemplo, a Bíblia vendida pela Alabaster consiste em mais de vinte publicações caracterizadas por capas elegantes, layouts com curadoria e imagens refinadas — enriquecendo a experiência de leitura e tornando o texto sagrado mais acessível e visualmente envolvente.
Existem várias versões da Bíblia. A Bíblia cristã está dividida em duas secções principais: o Antigo Testamento, que entre outras coisas conta a história da criação do mundo segundo a tradição judaica, e o Novo Testamento, que narra a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus. A marca Alabaster não oferece apenas toda a Bíblia, apresentada como uma coleção de alta qualidade (com um custo superior a 400€), mas também oferece publicações individuais que a compõem. Os Evangelhos, por exemplo, são vendidos pelo equivalente a 25 euros cada, colocando-os na mesma faixa de preço de uma revista de moda ou design de interiores. “Estes não são livros religiosos comuns”, comentou Vox. A revista norte-americana escreveu que as publicações da marca “apresentam um clima vagamente escandinavo que lembra Kinfolk”.
Compreender o sucesso do #ChristianTok
@adele.maina.ii May this motivate you to spend some time reading the Word
O aumento da popularidade e das vendas da Bíblia não é inteiramente coincidência. Há algum tempo que um nicho de figuras religiosas como padres, freiras e pregadores tem estado ativo nas principais plataformas de redes sociais, espalhando ensinamentos e reflexões espirituais. Nos últimos anos, este fenómeno atraiu um número crescente de utilizadores da Geração Z — uma geração estatisticamente menos interessada na religião do que as anteriores. Em Itália, o fenómeno tornou-se evidente graças a personalidades como Benedetta Palella, criadora de conteúdos com mais de 40.000 seguidores no TikTok que, entre outras coisas, recebe transmissões ao vivo recitando o rosário. Recentemente, Palella participou no programa GenZex, um podcast sobre sexualidade apresentado por Martina Socrates, onde mergulhou na sua jornada espiritual, abordando temas como a castidade ou o sexo pré-marital.
Da mesma forma, a criadora de conteúdos Cleide Bellia utiliza o TikTok para falar sobre o Cristianismo, visando transmitir os princípios descritos na Bíblia de uma forma mais acessível, adaptando temas religiosos à linguagem informal típica das plataformas digitais. Estas e outras personalidades alimentam o chamado #ChristianTok, uma coleção de vídeos partilhados na plataforma de redes sociais chinesa que vão desde orações a discussões sobre o significado da fé no quotidiano, ajudando alguns utilizadores a ligar-se com a espiritualidade. Muitas vezes, o sucesso destes conteúdos reside na capacidade de certos criadores de conteúdos discutirem a religião com uma linguagem e uma abordagem capazes de captar a atenção da Geração Z, tornando-a mais compreensível e envolvente. O podcast Muschio Selvaggio, que há vários anos é um dos produtos de entretenimento online mais apreciados e populares em Itália, abordou frequentemente o tema da religião. Recentemente, Fedez afirmou que o programa quase conseguiu organizar um episódio que teria apresentado o Papa como convidado. No entanto, nem sempre e nem em todo o mundo se discute religião em plataformas digitais vistas favoravelmente. Recentemente, por exemplo, na comunidade budista, surgiu um debate sobre o uso do TikTok por monges: de um lado, alguns o consideram uma ferramenta controversa a ser usada com muita cautela, se não totalmente evitada, enquanto outros o veem como um meio útil para envolver mais seguidores. O ponto central é que muitas religiões muitas vezes desencorajam comportamentos que levam os fiéis a chamarem excessivamente a atenção para si mesmos, uma abordagem que colide com a própria natureza e dinâmica das redes sociais.












































