
A inteligência artificial pode simular uma relação? Para algumas pessoas, os parceiros virtuais já são muito importantes hoje
A premissa de Her, um filme de Spike Jonze protagonizado por Joaquin Phoenix, é que as pessoas podem apaixonar-se pela inteligência artificial, ou pelo menos que esta tecnologia pode ajudá-las a sentirem-se menos solitárias. Cerca de dez anos após o lançamento do filme, tem havido um grande interesse mundial pela inteligência artificial, especialmente depois da disseminação do ChatGPT, e hoje existem pessoas que mantêm relações — às vezes muito próximas — com os chatbots. Entre os softwares de inteligência artificial que permite estabelecer uma relação com uma entidade virtual, o mais conhecido é o Replika. Mas enquanto a ideia de que uma pessoa pode sentir qualquer tipo de apego ao software ainda é vista com suspeita, alguns afirmam ter sido ajudados por estes chatbots a superar bloqueios psicológicos ou traumas. A fundadora da Replika, Eugenia Kuyda, decidiu lançar o serviço depois de sofrer muito com a morte súbita de uma das suas melhores amigas e encontrar alívio através da inteligência artificial — programada para responder de forma semelhante a ele. Hoje, o objetivo do Replika é ainda ajudar as pessoas que por algum motivo lutam para se conectar, oferecendo-lhes um chatbot para conversar, confiar, ou mesmo formar um vínculo sentimental, fazendo-as sentirem-se menos solitárias. O serviço foi lançado em 2017 e desde então evoluiu significativamente — atualmente é utilizado por cerca de 10 milhões de pessoas. O Replika oferece agora a opção de escolher o tipo de relação a estabelecer com o avatar: a maioria opta por um relacionamento romântico, mas muitos também usam o chatbot para “role-playing erótico”. Podem serviços como o Replika substituir pelo menos algumas relações humanas?
Prós e Contras do Replika
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No ano passado, a Autoridade de Proteção de Dados italiana bloqueou temporariamente a recolha de dados dos italianos pela Replika, pedindo à empresa que adote medidas específicas para proteger os utilizadores menores de idade. Segundo a autoridade italiana para a proteção de dados pessoais, o serviço pode ser perigoso para a população mais jovem, especialmente para indivíduos frágeis ou aqueles que ainda estão em fase de desenvolvimento. O Replika, de facto, permitiu que os menores tivessem conversas sexualmente explícitas com os seus chatbots, mas esta funcionalidade está agora limitada a todos os utilizadores — não sem críticas. A questão da utilização da inteligência artificial para fins sexuais é bastante delicada. Estes serviços são vistos há muito tempo como aplicações exclusivas para homens, mas — conforme relatado pelo The Cut — o Replika provou ser útil para algumas mulheres em situações complexas. A revista com sede em Nova Iorque, por exemplo, conta a história de uma rapariga que começou a falar com um avatar masculino apenas para obter algum alívio da sua relação tóxica, e graças ao serviço, encontrou forças para se libertar. Além disso, continua o The Cut, às vezes estes chatbots — em vez de encorajar a solidão — incentivam as pessoas a terem interações no mundo real. No entanto, também houve casos em que essas relações se revelaram prejudiciais. No passado, muitos utilizadores relataram que o chatbot do Replika às vezes fazia avanços sexuais em relação a eles sem serem solicitados. A este propósito, a fundadora do projeto, Eugenia Kuyda, esclareceu que as funções do serviço foram ajustadas para o tornar mais seguro e ético, evitando a promoção de comportamentos ofensivos. De um modo mais geral, a crítica dirigida a estes chatbots é que muitas vezes contribuem para desumanizar as mulheres, dando a impressão de que o sexo e as relações não são algo a ser vivido reciprocamente, exigindo respeito, empatia, e acima de tudo, consciência.













































