O que é que se passa na Aeffe? Um investidor misterioso pode salvar a Aeffe da sua dívida

ATUALIZAÇÃO 03.08.2026: Nos últimos dias, foi divulgado que a Aeffe, juntamente com a Invitalia, o Fundo Oxy e um parceiro industrial chinês, apresentou uma proposta vinculativa no valor aproximado de 115 milhões de euros. O anúncio foi feito durante uma reunião no Ministério italiano das Empresas e do Made in Italy, dedicada ao processo de reestruturação da empresa. O projeto apresentado tem como objetivo garantir a continuidade industrial do grupo e preservar as suas marcas históricas, incluindo Alberta Ferretti, Moschino e Pollini. De acordo com o novo acordo, a licença da marca Moschino será concedida em exclusividade ao parceiro chinês para o mercado chinês, com o objetivo de reforçar a presença da casa de moda na região. A conclusão da operação está prevista para o final do ano.

Para a Aeffe, empresa-mãe das marcas Alberta Ferretti, Moschino e Pollini, os últimos meses não têm sido fáceis. Em meio a mudanças no leme criativo, incluindo a saída da fundadora Alberta Ferretti em setembro de 2024, a direção criativa da marca homónima foi confiada a Lorenzo Serafini e, mais recentemente, Adrian Appiolaza deixou a Moschino, entregando a marca aos fundadores da Sunnei, Loris Messina e Simone Rizzo, que vão revelar a sua primeira coleção durante a Milan Fashion Week em Setembro.

A situação financeira do grupo também está sob pressão. Em 31 de maio, a sua dívida teria atingido 101,8 milhões de euros, acima dos 67,7 milhões de euros no final de 2024. As receitas situam-se atualmente nos 155 milhões de euros, menos 25,4% face aos 207,8 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado. No entanto, um investidor misterioso pode mudar a sorte da Aeffe.

Sobre a Oxy Capital

A Aeffe está atualmente a ser submetida ao procedimento negociado de resolução de crises empresariais em Itália, um processo que permite às empresas que enfrentam dificuldades financeiras negociar com os credores de forma a apoiar a sua recuperação e evitar processos de insolvência mais onerosos. Neste quadro, a Oxy Capital, empresa de investimento com escritórios em Lisboa e Milão especializada em operações de recuperação de negócios, tem manifestado interesse no grupo apoiando empresas em dificuldades através de reestruturações financeiras e organizacionais.

A empresa está supostamente a atuar como o principal investidor de um consórcio de parceiros industriais e financeiros que ainda está a ser montado. A proposta continua a ser preliminar e não vinculativa, uma vez que as diligências financeiras, jurídicas e económicas ainda estão em curso antes de se chegar a um acordo final.

Surge um potencial comprador asiático

Com o apoio do banco de investimento Lazard, a Aeffe terá também recebido uma segunda proposta que parece particularmente atraente para o seu conselho de administração. É proveniente de um grupo industrial maioritariamente ativo no mercado asiático, com vasta experiência na gestão de marcas de moda internacionais, embora a sua identidade não tenha sido divulgada. De acordo com a informação disponível, o investidor está interessado em adquirir todo o negócio da Aeffe enquanto assume todas as responsabilidades do grupo uma vez concluído o processo de reestruturação ao abrigo da Crise Empresarial e Código de Insolvência da Itália.

A proposta inclui ainda uma facilidade de financiamento ponte de até 25 milhões de euros para garantir a continuidade operacional do grupo até 31 de dezembro. O financiamento seria libertado em duas prestações: um montante inicial de até 16 milhões de euros entre julho e setembro, seguido de uma segunda tranche de 9 milhões de euros antes do final do ano. Tanto o financiamento como qualquer eventual aquisição seriam financiados inteiramente através dos recursos próprios do investidor.

Se o negócio for concretizado, a Aeffe estaria aliviada do seu atual fardo de dívida, embora também transferisse efetivamente os seus ativos operacionais para o novo proprietário. A due diligence ainda está em curso, e a Oxy Capital poderá apresentar uma oferta vinculativa nas próximas semanas. Entretanto, a audiência no Tribunal de Bolonha sobre as medidas de proteção solicitadas no âmbito do processo de reestruturação foi adiada para 15 de julho. Neste contexto, a Aeffe poderá ter uma oportunidade genuína de recuperação, criando um ambiente promissor para as novas equipas criativas escolhidas para remodelar o futuro do grupo.

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