
Porque é que as marcas de moda são cada vez mais alvo de ataques cibernéticos? A indústria do luxo está a enfrentar uma guerra de dados
Dior, adidas, Tiffany, Victoria's Secret, Cartier e hoje Louis Vuitton: a lista de casas de moda vítimas de ciberataques continua a crescer. Todos alegam que as violações foram rapidamente contidas com impacto limitado. Ainda assim, estas intrusões prejudicam a imagem do luxo e a confiança que estas marcas representam. Mas porque é que os cibercriminosos estão subitamente a atingir estes símbolos de prestígio global? Em primeiro lugar, a razão mais óbvia é que as marcas de moda detêm uma riqueza de dados sobre os seus clientes, não se limitando a nomes e informações financeiras. Especialmente casas de luxo, que armazenam informações sensíveis sobre indivíduos de alto perfil. Os dados roubados do cliente podem ser usados para se passar por empresas legítimas e atrair as vítimas para que forneçam dados mais confidenciais no futuro. Os cibercriminosos “muitas vezes planeiam jogar o jogo longo”, explicou James Hadley, fundador da empresa de cibersegurança Immersive, à BBC.
Cartier disclosed a data breach exposing customer names, emails, and countries after a cyberattack. No passwords or payment info were compromised, but this adds to a growing trend of luxury brands falling victim to cyber threats. #CyberSecurity #DataBreach #LuxuryBrands pic.twitter.com/tGbmySFqFd
— ShiftSix Security (@Shift6Security) June 5, 2025
Outra razão menos óbvia reside na rápida digitalização da indústria da moda. Com efeito, o boom digital dentro das marcas criou zonas de vulnerabilidade de segurança. Estas lacunas beneficiam os criminosos que procuram dados sensíveis. A violação na Cartier — uma das mais recentes vítimas — mostra que mesmo empresas de renome com fortes sistemas de cibersegurança não estão a salvo dos cibercriminosos. De resto, as técnicas utilizadas pelos hackers estão a tornar-se cada vez mais sofisticadas. De acordo com a Somniac, uma empresa de cibersegurança sediada no Reino Unido, o malware melhorado por IA adapta-se e evade a detecção, tornando obsoletos os sistemas de segurança tradicionais. A Somniac afirma ainda que o uso de IA em ataques cibernéticos facilitou as violações do sistema, permitindo mesmo que hackers inexperientes lançassem ataques elaborados. Esta tendência deverá continuar em 2025, com as ameaças impulsionadas por IA a tornarem-se um grande desafio para todas as empresas, não apenas na moda.
@tosintobaa Don’t lie now - do you reuse the same password ? #northface #cybersecurity #cyberattack original sound - Aura
Somado a tudo isto, a indústria da moda e têxtil depende fortemente de extensas cadeias de abastecimento, que podem ser exploradas por hackers. Medidas de segurança fracas entre fornecedores terceirizados podem servir como pontos de entrada para os atacantes se infiltrarem nos sistemas dos fabricantes. Adicionalmente, o aumento do trabalho remoto aumentou a dependência da cloud, alargando potenciais pontos de entrada para agentes mal-intencionados. Como tal, todas estas características fazem da indústria da moda um alvo privilegiado dos cibercriminosos. A ascensão da inteligência artificial só vai intensificar os ataques. As marcas devem tornar-se mais vigilantes e reforçar a sua segurança, ou arriscar-se a perder credibilidade aos olhos dos seus clientes.













































