
Como será o duty free na era das tarifas? China aposta nas compras em trânsito
Para alguns, a experiência de viagem não começa apenas à chegada ao destino, mas já no aeroporto, onde as oportunidades de compras tornaram-se elevadas e feitas à medida para os viajantes dispostos a gastar (muito e sabiamente). Para o segmento de mercado aspiracional e para os VICs (Very Importante Customers), o aeroporto representa agora algo próximo de um oásis comercial, especialmente graças às áreas duty-free. Como o nome sugere, as compras no aeroporto deveriam estar isentas de direitos aduaneiros: por esta razão, bens altamente tributados — como álcool e tabaco, mas também produtos de luxo — são vendidos a preços significativamente mais baixos do que o seu preço normal de retalho fora dos muros do aeroporto. No entanto, num mundo onde a palavra “tarifa” pode ter se tornado o refrão mais repetido do ano — não apenas no sector da moda — como é que a experiência duty-free será remodelada? Já no final de 2024, num contexto pré-Dia da Libertação, vários relatórios apontavam para um rápido crescimento do setor do retalho de viagens, impulsionado também pela crescente preferência por investimentos experienciais, como viagens, sobre as formas tradicionais de luxo. Apesar da China ser um dos países mais afetados pelas políticas protecionistas introduzidas por Trump, a nação tenta agora reescrever a sua economia pós-tarifária a partir precisamente do retalho de viagens.
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De acordo com uma análise da JingDaily, um fator-chave que impulsiona esta dinâmica é que o retalho de viagens, e as duty-free em particular, operam fora do âmbito das tarifas. Num contexto marcado pela incerteza geopolítica e por uma reorganização das cadeias de abastecimento globais, este canal está a tornar-se rapidamente um ativo estratégico para as marcas de luxo que procuram atingir consumidores sensíveis ao preço sem comprometer margens ou brand equity. 2024 marcou um ponto de viragem para o setor das viagens: de acordo com o Skift Travel Health Index, a atividade turística global aumentou 10% ano a ano, ultrapassando os níveis pré-pandemia em 13%. A entrar em 2025, a confiança nas viagens continua alta nos principais mercados emergentes: a China lidera com 88% dos inquiridos a expressarem uma forte intenção de viajar, seguida pela Índia (82%), Alemanha (70%) e Reino Unido (67%). Nos Estados Unidos, embora inferior (54%), a confiança nas viagens está a dar sinais de recuperação. Este otimismo renovado impacta diretamente o tráfego de passageiros e as vendas: o Airports Council International estima que o tráfego global em 2024 ultrapasse os níveis pré-pandemia, atingindo 9.5 mil milhões de passageiros, ou 104% dos níveis de 2019. O segmento internacional está a recuperar mais rápido. O Grupo Dufry, um dos principais players mundiais de retalho de viagens, reportou um aumento de 12% nas vendas do quarto trimestre de 2024, em grande parte impulsionado pelo aumento dos gastos por passageiro, particularmente na Ásia e no Médio Oriente.
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— (@strwbryoatmeal) April 30, 2025
Num esforço para compensar o impacto económico da guerra comercial com os Estados Unidos, a China está a remodelar a sua estratégia de turismo com uma abordagem pragmática e orientada para o consumo. Como também relata o JingDaily, uma das principais ferramentas neste reposicionamento é o sistema de declaração de impostos para visitantes estrangeiros, que recentemente sofreu uma grande atualização. O limiar mínimo de gastos para aceder ao reembolso do IVA foi reduzido de 500 para 200 RMB, tornando o benefício muito mais acessível mesmo para compras de gama média. Ao mesmo tempo, o governo elevou o limite máximo de desconto em dinheiro para 20.000 RMB (cerca de 2.745 dólares), expandiu a lista de retalhistas participantes e simplificou os procedimentos burocráticos para incentivar uma utilização mais ampla e imediata do serviço. As medidas, anunciadas conjuntamente pelo Ministério das Finanças e pelo Banco Popular da China, fazem parte de um plano mais amplo para reavivar o consumo interno, com os turistas estrangeiros posicionados como atores estratégicos. A China não pretende apenas trazer os visitantes internacionais de volta às suas fronteiras — quer que eles gastem, e que o façam de forma inteligente e vantajosa, alavancando um sistema fiscal cada vez mais competitivo em comparação com outros destinos asiáticos (anos à frente de países como o Japão para o turismo de moda). Em suma, Pequim está a apostar na ideia de que se os bens não chegarem ao consumidor, o consumidor pode chegar às marcas. A experiência de compra, então, já não é apenas um bónus de viagem — torna-se uma alavanca ativa para apoiar o crescimento económico nacional e empurrar para trás contra a guerra económica iniciada pelo governo dos EUA.













































