Quem será o próximo diretor criativo da Loewe? Segundo muitos oráculos da moda, deveríamos falar de “diretores criativos” no plural

A moda em 2025 está num estado de fluxo. Alianças estão a ser amarradas e desamarradas, marcas estão a ser vendidas e outras compradas, diretores criativos estão a saltar do navio e a ser instalados — muito parecido com o que está a acontecer na tecnologia e na política. Há uma sensação crescente de estar num novo clima, ou melhor, num novo mundo onde tudo pode ser reescrito e desfeito. E assim chegamos à questão: os rumores quase confirmam agora a saída de Maria Grazia Chiuri da Dior, juntamente com a notícia de que a moda feminina da marca começou a vender menos do que a roupa masculina de Kim Jones; e substituindo-a deverá ser o designer milagroso da LVMH, Jonathan Anderson, que deixará a Loewe. A questão, no entanto, é a seguinte: quando Anderson chegou à Loewe, o público da moda em geral também nunca tinha ouvido falar realmente. Dez anos depois (mais ou menos um mês), o primeiro é considerado o melhor designer da sua geração, e o último uma das marcas mais apetecíveis do mundo. Mas se o Anderson se mudar de facto para a Dior, de quem a Loewe cairá nas mãos?

A resposta a esta pergunta é crucial uma vez que a marca é uma das dineymakers da LVMH e deve manter o seu ímpeto — para não mencionar como nos últimos anos a marca se tornou um laboratório de experimentação e inovação que simplesmente não pode mudar agora. Felizmente, porém, as casas de apostas e os oráculos da moda já identificaram sucessores — no plural. Os rumores não falam de um único diretor criativo mas de dois pares de criativos: o primeiro deverá ser Luke e Lucie Meier, cujo contrato na Jil Sander pode estar a aproximar-se do seu vencimento; o segundo, segundo a Miss Tweed, normalmente bastante fiável nas previsões, é a dupla criativa atrás de Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez. Ambas as opções fazem sentido fundamental. Os Meiers são designers conceituados que, durante a sua liderança criativa, conseguiram preencher os proverbiais sapatos da fundadora Jil Sander, não só interpretando o seu famoso minimalismo mas também oferecendo a sua própria versão do lado mais caprichoso e imaginativo que a marca explorou no início dos anos 2000. A sua tarefa era bastante monumental, considerando que uma marca como a Jil Sander tem uma identidade tão precisa como versátil, o que não é fácil de manusear.

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Por outro lado, a dupla por trás da Proenza Schouler criou uma marca a partir do zero, tornando-a um dos nomes mais fascinantes da moda contemporânea bem como uma das marcas mais promissoras do cenário — praticamente um clássico moderno. Ambos os pares de designers partilham um gosto semelhante por pegar peças e designs simples e elevá-los a novas alturas conceptuais — mas talvez dos dois pares, os Meiers são os mais confortáveis com o uso vívido de cores e um jogo arrojado de proporções que agora faz parte do espírito da Loewe. A isto acresce a tendência da LVMH em favorecer designers já habituados à moda corporativa e assim capazes de trabalhar em seis coleções por ano (Jil Sander mostra em formato co-ed, mas as coleções pre-fall e resort dividem-se em moda masculina e feminina), navegando no complicado universo de uma marca comercial composta por linhas de perfumes, óculos, e colaborações em série. Isto não significa que McCollough e Hernandez não estejam à altura da tarefa, mas sim que, enquanto designers e empresários, tenham mostrado preferência pela independência, chegando mesmo a recomprar as ações dos seus investidores em 2018 para evitar interferências nos seus negócios. No caso deles, a LVMH poderia propor a compra de uma participação minoritária na Proenza Schouler — o que seria uma jogada clássica de Arnault. Mas ainda nada foi confirmado, pelo que nada pode ser afirmado com certeza. Independentemente de quais serão as notícias, sabemos que as notícias estão a chegar. A espera não oficial para saber o futuro de Anderson e Loewe já começou.

 

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