O mundo da moda ainda tem espaço para criativos como Marc Jacobs? Talvez uma engenhosidade multifacetada como a dele seja a chave para reconectar o público com o luxo.

Nos últimos meses, Marc Jacobs voltou aos holofotes. Falou-se de uma possível venda da sua marca pelo grupo LVMH e especulações sobre a sua entrada na Chanel. A completar o quadro estão as suas excêntricas campanhas publicitárias, onde muitas vezes aparece pessoalmente, confirmando-se como um nome consistentemente proeminente no panorama da moda. As últimas notícias? Anna Wintour escolheu-o como editor convidado para a edição de dezembro da Vogue America. Um acontecimento inédito: desde 1988, cada edição da revista tem sido dirigida pela própria Wintour. Esta edição especial apresenta Kaia Gerber em duas capas filmadas por Steven Meisel, enquanto a terceira resulta de uma colaboração com a pintora Anna Weyant. As páginas incluem ainda uma história de beleza com Alex Consani e Anok Yai, bem como uma longa-metragem de Gregory Crewdson que retrata o próprio Jacobs. Uma visão criativa que marca um afastamento acentuado das edições recentes da Vogue, com a mensagem implícita de que Jacobs ainda tem muito a dizer e fazer.

Muitos acreditam que este projeto representa verdadeiramente um reposicionamento estratégico para Jacobs e para a sua marca, que, como havia rumores há alguns meses, Bernard Arnault estava a ponderar vender para agilizar o extenso portefólio da LVMH — um rumor ainda a cumprir. Afinal, o designer transformou a Louis Vuitton numa potência global graças às colaborações com artistas como Takashi Murakami e Stephen Sprouse, coleções de acessórios cult, e à criação da primeira linha de ready-to-wear para a maison francesa. Agora, a colaboração com a Wintour levanta questões sobre o futuro da própria Vogue. Apesar de Wintour ter assegurado aos leitores que a sua saída não é iminente, este gesto poderá sinalizar uma fase de transição e a procura de um sucessor. A marca Marc Jacobs, com receitas de 600 milhões em 2023, impulsionada pelo sucesso global da sua Tote Bag, encontra-se num momento crítico. Jacobs, um criativo nascido em Nova Iorque, retirou-se da energia da cidade para redefinir o conceito de luxo contemporâneo. É o candidato ideal para um dos muitos lugares vagos nas grandes casas de moda? Ou será o seu destino semelhante a outros criativos, como Riccardo Tisci (editor convidado da última edição da revista Boy Brother Friend), que se encontraram um pouco à margem da indústria?

@runwayrelapse Replying to @LavLux711 Marc Jacobs describes how he developed Louis Vuitton from a sleepy luxury brand to the major fashion house that it is today. (from ‘High Low with Emrata’). #marcjacobs #louisvuitton #lvmh #luxury #fashion #designer original sound - Runway Relapse

De uma perspectiva mais ampla, permanece a questão de saber se ser um ex-diretor criativo de sucesso representa uma oportunidade ou uma limitação para um papel futuro de alto perfil. O próprio Jacobs provou ser capaz de evoluir. Desfiles flash de três minutos, modelos parecidos com bonecas, eventos fora do calendário: a sua capacidade de reescrever as regras da indústria faz dele uma figura interessante e uma mente para assistir. Mas o que aconteceria se trouxesse essa energia para uma grande casa de moda? É claro, no entanto, que em 2024 o papel de diretor criativo está cada vez mais vinculado pela dinâmica do mercado. Vender é a prioridade absoluta, e a liberdade de revolucionar uma marca é rara — um criativo como Alessandro Michele é a exceção que prova a regra. Perante uma vontade tão forte de derrubar as regras e convenções do sistema de moda, resta saber se Marc Jacobs está a evoluir e pronto (ou disposto) a voltar a entrar no jogo como diretor criativo ou se todas essas estratégias visam meramente gerar buzz em torno da sua marca. O seu regresso gradual aos holofotes não fornece respostas mas, sem dúvida, Jacobs representa muito mais do que apenas uma simples “nail art”.

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