
Há um médico na primeira fila? A ascensão da estética médica na moda
Se pensássemos que tínhamos deixado o azul das máscaras médicas para trás, a moda parece pronta para trazer de volta a estética que o Financial Times chama de “chique dos primeiros socorros”. No passado, os designers abordaram a tendência de diferentes maneiras, desde Ann Vandervost, que utiliza a cruz médica como logótipo da sua marca desde a década de 1990, a Alessandro Michele, que trouxe coletes e mãos protestando contra a defesa da saúde mental para a passarela da Gucci SS20. A homenagem mais significativa da moda à estética da enfermeira está ligada a Marc Jacobs, que, para o SS08 da Louis Vuitton, criou looks que previam o que usaríamos doze anos depois — menos os chapéus rubricados vermelhos para os modelos. A estes exemplos, podemos acrescentar um dos mais famosos editoriais de moda do novo século: “Makeover Madness”, um projeto filmado por Steven Meisel para a Vogue Italia, Julho de 2005. Nas imagens, Linda Evangelista e outras top models, incluindo Jessica Stam, aparecem a ser submetidas a procedimentos cirúrgicos invasivos, apenas para se encontrarem cobertas de ligaduras e alta costura no Hotel St. Regis em Nova Iorque. Enquanto o editorial da Vogue Italia e os coletes de linha da Michele usavam códigos estéticos hospitalares para evocar imagens dramáticas denunciando questões sociais como a crise da saúde mental ou a obsessão pelo retoque estético no novo milénio, ultimamente, temos visto artigos de passarela que lembram equipamentos de enfermeiros e médicos. Isto pode indicar como a moda está a esforçar-se para se manter ligada às pessoas que veste.
Um dos primeiros sinais da estética médica na moda este ano apareceu estranhamente no tapete vermelho, no Festival de Cannes, quando Hunter Schafer chegou com uma roupa Prada com um cocar branco que lembra um pouco os bonés usados pelas enfermeiras durante as Guerras Mundiais. A mesma marca usada pela atriz incorporou, nas últimas temporadas, elementos estilísticos inspirados no guarda-roupa do médico, como a bolsa de 24 horas. A marca irmã da Prada, Miu Miu, também se inspirou nos corredores dos hospitais. Nas coleções SS25 e FW24, a marca apresentou camisas e calças em algodão técnico azul claro e bolsas castanhas perfeitas para transportar estetoscópios e almofadas de prescrição. Afinal, a própria diretora criativa Miuccia Prada disse numa entrevista de 2016 à System Magazine que “os médicos são considerados muito sexy”.
Para além da Prada e da Miu Miu, cuja paixão pelo look do médico reflete as preferências do seu fundador, outras marcas recorreram ao guarda-roupa médico para as suas criações este ano. The Row lançou a sua versão da mala do médico — rígida, espaçosa e castanha, um estilo pseudo-Birkin que Pharrell adaptou para Louis Vuitton Men. Entretanto, as marcas francesas Coperni e Courrèges reinterpretaram o estilo sexy enfermeira apresentado por Marc Jacobs em 2008. Com roupas totalmente brancas, tecidos transparentes ou designs com bolsos e recortes enfatizando áreas íntimas, essas marcas vislumbram futuros uniformes hospitalares que são funcionais mas altamente sensuais. Semelhante aos uniformes que André Courrèges desenhou em 1985 para os funcionários do hospital público de Paris.





























































