
Que marca é que Patrick Bateman usaria hoje? Luca Guadagnino, Jacob Elordi e o sonho de um serial killer no look total Bottega Veneta
Mais de trinta anos depois, a moda continua a ter uma carinha por Patrick Bateman. Apesar de todas as séries televisivas e podcasts de crime verdadeiro que saíram recentemente, os designers não conseguem resistir ao charme do mais famoso serial killer do cinema, talvez o único na história do género que conseguiu atingir um nível de epicidade tão grande que transcende tendências e anula a cultura. Como ele, afinal, os anos 80 ainda representam uma estética a aspirar, uma década cheia de fatos listrados e óculos de sol grossos, personagens polémicos mas mesmo assim icónicos em que a economia e as artes estavam a crescer. São anos perdidos mesmo por aqueles que nunca os viveram. Será por isso que Luca Guadagnino, o diretor mais querido da Geração Z, decidiu dirigir uma nova adaptação de American Psycho? O autor dos novos filmes cult Call Me By Your Name, Bones and All, and Challenger está em fase final de negociações para o novo projeto, que, segundo especulações adicionais, poderá envolver também o muito querido Jacob Elordi. Assim que a notícia chegou ao X e ao TikTok, provocou uma onda de discussões e fofocas não só sobre o suposto protagonista mas também sobre o guarda-roupa que iria usar. Para o Queer e Challenger, Guadagnino tinha confiado a direção criativa de Jonathan Anderson; quem sabe se desta vez vai escolher os fatos da Bottega Veneta, dos quais Elordi é, aliás, embaixadora.
Quer se confirme ou não a participação de Elordi no remake de American Psycho, é preciso dizer que Bottega Veneta seria uma candidata perfeita para os figurinos do contemporâneo Patrick Bateman. Brincadeiras à parte — no último show da maison, os convidados estavam sentados em pufes de couro em forma de animais da Arca de Noé — a marca manteve uma estética dos anos 80 há anos, com fatos de força e casacos grossos tradicionais que se encaixariam perfeitamente no papel do yuppie psicopata. Na SS25, o diretor criativo Daniel Lee apresentou blazers de lã cinza e algodão com ombros acolchoados, saias e calças sob medida, fatos grandes vermelhos e laranja, gravatas de couro, cintos de cintura alta e sobretudo macios. Mesmo para as bolsas, Patrick Bateman, de Luca Guadagnino, teria muitas opções: para as necessidades de um investidor de Wall Street dos anos 80, existem as icónicas pastas Intrecciato Bottega, bolsas de ombro lisas em couro preto, mochilas espaçosas e sacos de plástico funcionais (que na verdade são feitos de couro). Se Bottega Veneta, de Daniel Lee, é a líder do próximo guarda-roupa americano Psycho, o segundo lugar pertence seguramente a Saint Laurent de Anthony Vaccarello. Nos recentes desfiles da marca, o designer transmitiu o mesmo sentido de erotismo e elegância que o fundador da maison celebrou nos anos 80, com powersuits que enfatizam a cintura, saias lápis, gravatas grandes e longos casacos pesados. Como Lee, as paletas de cores escolhidas por Vaccarello também se assemelham muito aos tons favoritos do protagonista do American Psycho, com o azul, o cinza e o preto reinando supremos.
Enquanto Bottega Veneta e Saint Laurent representam duas das melhores escolhas para o guarda-roupa de “escritório” do Bateman, durante as suas horas mais movimentadas, o serial killer poderia inspirar-se em marcas mais irónicas como a LGN Louis-Gabriel Nouchi, que para a coleção FW23 foi diretamente inspirada no filme. Explorando o tema da masculinidade tóxica, a estilista francesa criou outfits extremamente alinhados com o estilo dos anos 80, com pequenas reviravoltas: o primeiro look apresentava um casaco trespassado, camisa, gravata, cabelo liso para trás e uma grande mancha de sangue no rosto, enquanto outros looks em couro faziam referência à capa de chuva usada por Christian Bale na adaptação de Mary Harron. Antes de Nouchi, até Raf Simons tinha tirado do guarda-roupa de Bateman para o SS18 da Calvin Klein, quando enviou capas de chuva manchadas de sangue e gráficos nítidos em forma de faca preta em ternos e calças pela passarela. Ao contrário de Armani, Burberry, Zegna e Cerruti — que apareceram quase por acaso no livro de 1991 e no filme de 2000 — nos últimos anos, muitas marcas inspiraram-se diretamente no ícone do Bateman, por vezes para destacar os paradoxos que afligem a América, outras simplesmente porque o olhar psicopático imaginado por Bret Easton Ellis mantém a sua modernidade mesmo depois de tantos anos. Se os rumores sobre o próximo filme de Guadagnino forem verdadeiros, caberá ao realizador italiano decidir se vai manter a estética de Wall Street do serial killer ou quebrar o molde. Sem dúvida que um assassino com facas e armas numa sardinha Bottega seria um espectáculo e tanto.





















































