Itália tem demasiadas casas vazias 1 em 4, o número mais elevado de toda a Europa

O meme sobre a Geração Z não poder comprar casa é engraçado até que se concretize no mercado imobiliário real. Enquanto estudantes e jovens trabalhadores lutam nas grandes cidades que enfrentam um aumento nos preços das rendas, os incentivos para comprar uma casa em Itália continuam praticamente inexistentes. Isto é confirmado por um novo estudo da Fundação Ifel, que destaca uma realidade tão paradoxal quanto previsível: a Itália é o país europeu com o maior número de casas devolutas, uma em cada quatro para ser preciso.

Por detrás deste número está uma contradição estrutural que diz mais do que qualquer slogan sobre o “sonho da casa própria”. Por um lado, a cultura italiana continua a equiparar a estabilidade económica à posse de imóveis; por outro, o mercado imobiliário está paralisado, dividido entre casas abandonadas, segundas casas, e uma oferta muito limitada de imóveis para arrendamento. Num país onde a habitação pública é mínima e a habitação social deixa de satisfazer as novas necessidades habitacionais, a casa tornou-se num ativo estático, mais simbólico do que funcional.

Quantas casas vazias existem em Itália?

Segundo os dados recolhidos pelo Ifel com base no Istat e Mef-Agenzia delle Entrate, 55% das famílias italianas vivem numa casa própria, em comparação com 47% em França e 41% na Alemanha. Um registo que, quando lido em contexto, revela uma realidade muito mais complexa: a Itália responde por 27,3% dos lares desocupados, três vezes superior à França (7,8%) e seis vezes superior à Alemanha (4,4%). Em termos absolutos, dos cerca de 35 milhões de habitações inquiridas, mais de 9,5 milhões estão sem uso ou apenas ocasionalmente ocupados.

Como explicou Alessandro Canelli, presidente do Ifel, “a Itália mostra uma anomalia significativa: mais de um quarto das casas estão desocupadas”. Um valor que não pode ser ignorado, sobretudo tendo em conta que grande parte destas unidades, cerca de 5,7 milhões, são imóveis “disponíveis” às famílias, muitas vezes segundas residências ou casas herdadas que não são colocadas no mercado. Isso representa um ativo imobiliário congelado que poderia, em vez disso, tornar-se um recurso estratégico para combater a crise da habitação através de políticas fiscais direcionadas e incentivos ao arrendamento ou renovação.

Onde está a habitação social?

@francescobeggio Uno dei migliori esempi di edilizia residenziale pubblica ben funzionante di tutta Europa. Wohnpark Alt-Erlaa, Vienna Il complesso è facilmente raggiungibile in metro, si trova appena fuori la fermata omonima della linea U6. Il progetto risale al 1968 mentre l’effettiva realizzazione dei tre blocchi di cemento che costituiscono il complesso fu compresa tra il 1973 e il 1985. Si trattò di un’opera realizzata da un consorzio di architetti e di proprietà dell’impresa di costruzioni GESIBA. Il Wohpark Alt-Erlaa conta 3180 appartamenti, ciascuno dotato di balcone o loggia, distribuiti all’interno di edifici di 27 piani alti 85 metri. All’interno dei suddetti appartamenti vivono circa 11.000 persone. Oltre alle residenze il complesso multifunzionale vanta una moltitudine di altri servizi, come ad esempio tre scuole, una biblioteca, una palestra, un centro commerciale, una chiesa, bar e ristoranti, piscine indoor e outdoor e molto altro. Stiamo parlando di una città dentro la città. Anche dal punto di vista architettonico le torri di Alt-Erlaa sono molto affascinanti. Presentano questo design retrofuturistico/brutalista che sembra quasi ispirato alla fantascienza e che produce nell’osservatore un senso di nostalgia. #alterlaa #wohnparkalterlaa #publichousing #councilhouse #councilhousing #architecture #residentialconstruction #residentialarchitecture #retrofuturistic #brutalism #brutalistarchitecture #modernarchitecture #architecture_hunter #architecturephotography #architecturelovers #architettura #architetturaresidenziale #casepopolari #architetturamoderna #architettura_900 #vienna #vienna_austria #viennaarchitecture #viennagram original sound - AntiNightcore

A comparação europeia torna-se ainda mais dura quando se olha para a habitação social. Em França, a habitação pública ou subsidiada cobre 11,7% do parque habitacional; na Alemanha, o valor ronda os 2,5%, mas dentro de um mercado de arrendamento muito mais dinâmico e acessível. Em Itália, no entanto, a habitação pública residencial (ERP) representa apenas 2,6% do total e menos de 20% do mercado de arrendamento.

O relatório identifica cerca de 781.000 unidades ERP, das quais 334.000 estão concentradas nas 14 cidades metropolitanas. Roma e Milão juntos representam mais de 130.000 unidades, seguidas por Nápoles, Turim e Palermo. Mas a questão não é apenas a escassez: a taxa de volume de negócios é mínima, com cerca de 16.000 novas atribuições por ano, apenas 2% do stock disponível. Na prática, a habitação pública move-se a um ritmo glacial num mercado cada vez mais competitivo, onde a procura continua a aumentar enquanto a oferta pública se mantém estagnada há décadas.

Milão como espelho de Itália

Os dados recordam o caso emblemático do bairro de San Siro, em Milão, onde a prometida habitação social acabou por ser alocada a escritórios e apartamentos para famílias com um rendimento ISEE entre os 10.000 e os 40.000 euros. Uma decisão que, segundo os sindicatos, distorce o projeto, deslocando-o mais para a habitação social do que para a verdadeira habitação pública. Da mesma forma, na recente abertura da Vila Olímpica no Estaleiro da Porta Romana, os gestores de projeto anunciaram que uma vez convertidas em alojamento estudantil, as rendas vão rondar em média os 850 euros mensais, enquanto as taxas subsidiadas custarão 592€ por mês. Preços que estão longe de se alinhar com o conceito de habitação social e que vão continuar a exacerbar a crise habitacional da cidade.

Perante esta situação, é cada vez mais evidente que o problema não é apenas quantitativo mas também cultural e político. A Itália continua a ver a casa como um legado a transmitir e não como um espaço para viver, como um investimento estático e não como um recurso social. Entretanto, as grandes cidades estão a esvaziar os residentes e a encher-se de estudantes e trabalhadores precários obrigados a perseguir rendas incomportáveis ou soluções de habitação temporária. Sem uma mudança de paradigma através de políticas modernas de habitação, incentivos à renovação e um verdadeiro plano de habitação acessível, o país corre o risco de permanecer preso na sua própria ideia de estabilidade.

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