O Vale do Silício italiano está em Nápoles Com a única Apple Developer Academy em toda a Europa

Nápoles é conhecida mundialmente por uma miríade de razões: a sua cozinha, a sua música, o mar, o seu folclore. Em suma, ao pensar na cidade napolitana, vem imediatamente à mente uma longa lista de elementos culturais, elementos que agora definimos com a expressão “soft power”. Entre estes, no entanto, é raro imaginar a indústria tecnológica. No entanto, ao longo dos últimos dez anos, um pequeno Vale do Silício italiano desenvolveu-se em torno da capital napolitana, graças especialmente à Apple Developer Academy, inaugurada em 2016 em colaboração com a Universidade Federico II. A academia não está localizada no centro histórico mas sim em San Giovanni a Teduccio, um bairro que durante anos teve a reputação de “Bronx de Nápoles”. No entanto, a Apple Developer Academy pôs em marcha um processo significativo de redesenvolvimento urbano e social, a tal ponto que Lisa Jackson, vice-presidente da Apple, definiu Nápoles como o hub nacional para os programadores durante uma visita oficial. Em quase dez anos, a Academia formou mais de 2500 estudantes, muitos dos quais construíram carreiras importantes como programadores iOS, o sistema operativo da Apple. A presença da gigante de Cupertino tem também atraído outras grandes empresas tecnológicas para a área, contribuindo para a criação de um ecossistema digital, um distrito inovador comparável em dinâmica ao californiano.

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Apesar destes importantes passos em frente, no debate público persiste ainda a ideia de que o sul de Itália está tecnologicamente menos avançado em comparação com o resto do país. No entanto, Nápoles está a provar com factos concretos que pode ultrapassar este estereótipo. Além da Apple Developer Academy, existem instituições estabelecidas como a Città della Scienza, que representa um centro chave para a inovação e divulgação científica, e universidades públicas como Federico II e a Universidade de Salerno em Fisciano, consideradas referências nacionais para disciplinas STEM. O desenvolvimento foi ainda confirmado pelo interesse do Plug&Play Tech Center, um dos mais importantes aceleradores de negócios do Vale do Silício, conhecido por financiar startups de sucesso como o Dropbox. Conforme noticiado num comunicado de imprensa da Região da Campânia, o gestor Mohannad El Khairy, durante uma visita a Nápoles em 2024, reuniu-se com representantes locais de investigação e desenvolvimento tecnológico, considerando seriamente a oportunidade de investimentos na região. A área identificada como a mais promissora para acolher um futuro acelerador é precisamente San Giovanni a Teduccio, já sede de laboratórios universitários e centros de investigação.

Como também noticiou o Il Post, nos últimos anos, várias multinacionais digitais escolheram Nápoles como base para abrir novos escritórios e filiais operacionais, atraídas pela qualidade do capital humano local e pela posição estratégica da cidade para os mercados do sul da Itália. Empresas fintech como a Accenture, Engineering, Capgemini, DXC, e Almaviva reforçaram a sua presença na área, ao lado de gigantes de software e cloud como a IBM e empresas de telecomunicações como a TIM, que opera um laboratório de investigação 5G na cidade. Ao mesmo tempo, Nápoles assiste ao crescimento de um ecossistema de startups inovadoras, nascidas de spin-offs universitários ou fundados por investigadores locais. Exemplos notáveis incluem a MegaRide, especializada em soluções digitais para mobilidade sustentável, Logogramma trabalhando com inteligência artificial, Bhblasted em marketing digital e TechVisory na gestão e análise de dados. A Apple tem desempenhado o papel de pioneira: a presença da empresa tecnológica líder nos Estados Unidos levou à criação de muitas outras academias no distrito de San Giovanni a Teduccio, em parceria com Federico II e outros grandes grupos digitais, como a HackAdemy, a Cisco Academy, e muitos mais. Portanto, não, Nápoles não é apenas a cidade do sol, da pizza e do mar, mas também um lugar de desenvolvimento tecnológico e inovação. Só podemos esperar que, nos próximos anos, a fuga de cérebros dê um novo rumo, um desejo também partilhado pelo Presidente da Câmara Manfredi.

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