Rendas na Galleria Vittorio Emanuele II batem novo recorde Receitas das rendas pagas pelas marcas cresceram 30% em quatro anos

A Galleria Vittorio Emanuele II em Milão não é apenas bonita e centralmente localizada, mas também é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro para a cidade de Milão. Recentemente, tal como também noticiou a Repubblica há dias, foram tornados públicos os números oficiais do Município sobre as receitas das taxas de concessão das instalações naquele que é hoje um dos espaços comerciais mais prestigiados de toda a Europa.

O primeiro valor que imediatamente se destaca é que estas taxas (a que chamaremos simplesmente de “rendas” pela simplicidade) dispararam nos últimos quatro anos: em 2021 ascenderam a 53 milhões de euros anuais no total, mas hoje já ultrapassaram os 80 milhões de euros anuais. O aumento foi de 58%, o que está longe de ser insignificante. Em suma, não é apenas a habitação estudantil que se tornou mais cara.

O Jogo Imobiliário das Rendas na Galleria Vittorio Emanuele II

Outra parte interessante das análises publicadas pelo Município diz respeito às projeções para 2026, que preveem que este ano a cidade irá arrecadar 83,5 milhões de euros aos seus “inquilinos” na Galleria. Refira-se que, sendo praticamente para sempre a melhor sala de estar da cidade, a administração tem feito esforços consideráveis para a manter povoada pelas melhores marcas: até à data, foram assinados 40 contratos de concessão, foram concluídos 10 concursos, e dois estão ainda em aberto.

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Neste momento, portanto, toda a Galleria está ocupada (recorde-se que as lojas da Galleria também incluem as montras nos pórticos externos) enquanto apenas duas lojas externas ainda estão em jogo: a antiga loja Davis na via Silvio Pellico, que se diz interessar a Stroili; e outra relativa a três espaços com vista para a Piazza Duomo. O núcleo da Galleria entendido como centro comercial é constituído por 52 marcas totais que atualmente têm contratos que garantem a sua presença lá até 2030.

Estar na Galleria é, portanto, um caro jogo de Risco (diz-se que o antigo espaço da loja Davis está em alta para uma renda anual de 900.000 euros) onde a combinação de renovações, novas aberturas e competições entre vários ocupantes permitiu maximizar o valor económico dos espaços. Uma nota positiva, no entanto, é que o Município tem manifestado a intenção de equilibrar as marcas de luxo com as atividades históricas pelas quais a Galleria é famosa, como a Marchesi, Camparino ou Libreria Bocca.

Mas quem paga mais?

A “peça” mais cara da Galleria é quase certamente (e quase certamente só por agora) a atual boutique da Tiffany & Co., que a marca ocupou após a saída da Swarovski e para a qual fontes falam de uma batalha feroz entre dez grandes marcas. A loja mede entre 170 e 175 metros quadrados e tem uma renda anual de aproximadamente 3,5 milhões de euros, o que faz com que o preço por metro quadrado ronde 20,600 euros por ano, sete vezes superior à base inicial do leilão conforme noticia a MF Fashion, superior à Via Montenapoleone ou na Quinta Avenida de Nova Iorque.

Outros ocupantes que pagam rendas douradas são a Balenciaga, que paga 2,5 milhões de euros por ano, e a Loro Piana, que paga 2,3 milhões de euros. Ambas as marcas estão entre as recém-chegadas à Galleria juntamente com The Bridge, Montblanc e a joalheria Rocca.

Como explicou o Município, as receitas de arrendamento têm sido reinvestidas diretamente nos serviços pessoais, particularmente no bem-estar dos cidadãos, sobretudo no aumento dos recursos alocados ao apoio a idosos, pessoas com deficiência e adultos em condições de fragilidade social. Na previsão orçamental para 2026, por exemplo, estão previstas dotações significativas nestes capítulos (incluindo cerca de 85 milhões para adultos em risco de exclusão), e as receitas da Galleria representam uma alavanca fundamental para financiar tais intervenções sem sobrecarregar ainda mais a tributação local.

Takeaway

— A Galleria Vittorio Emanuele II tornou-se uma verdadeira “máquina de fazer dinheiro” para a cidade de Milão, com as taxas de concessão a subirem de 53 milhões de euros anuais em 2021 para mais de 80 milhões hoje, um aumento de 58% em quatro anos.

— As projeções para 2026 indicam receitas na ordem dos 83,5 milhões de euros (com possibilidade de atingir os 85 milhões), graças a 40 contratos assinados, 10 concursos concluídos, e todas as 52 lojas (incluindo as dos pórticos da Piazza Duomo) atribuídas pelo menos até 2030.

- O espaço mais caro é a nova boutique Tiffany & Co. (antiga Swarovski), com uma renda anual de aproximadamente 3,5 milhões de euros (mais 20.600€/m2), sete vezes a base inicial do leilão, seguida pela Balenciaga (2,5 milhões) e Loro Piana (2,3 milhões).

— O Município está a equilibrar a chegada de marcas internacionais de luxo com a preservação das atividades históricas (Marchesi, Camparino, Libreria Bocca), enquanto dois espaços externos (antigo Davis e três na Piazza Duomo) estão ainda em concurso.

- As receitas são diretamente reinvestidas no bem-estar dos cidadãos, particularmente para os idosos, deficientes e pessoas vulneráveis, financiando serviços sem aumentar a pressão fiscal local.

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