Sacai, Labubu e moda liderada por tendências Quando os colecionáveis de pelúcia superam os batons

No fim de semana de 8 de junho, a loja de departamentos Rinascente de Milão tornou-se palco de uma cena invulgar: uma fila aparentemente interminável de pessoas que fazem fila para comprar um Labubu no pop-up Pop Mart. O brinquedo — um monstrinho peludo do tamanho de uma carteira, criado pelo artista de Hong Kong Kasing Lung — representa a nova fronteira da cultura hype, um objeto desejável para pendurar na sua bolsa que atingiu o auge da sua popularidade este ano, graças ao ressurgimento de acessórios fofos e coloridos. As edições limitadas e as revendas online inflaram o preço deste porta-chaves gigante, levando o Pop Mart a um aumento de 165% nas receitas no primeiro trimestre de 2025. Enquanto a marca de brinquedos selava a sua tão esperada parceria com a loja de departamentos mais icónica de Milão, a marca japonesa Sacai anunciou que vai leiloar uma série de edição limitada de treze Labubu na plataforma da Pharrell Williams, Joopiter, a 18 de junho. A potenciar ainda mais o impacto mediático da colaboração está a banda de K-pop Seventeen, para quem Sacai criou uma coleção de cápsulas personalizadas com lançamento no mesmo dia no site da Joopiter. Todos os rendimentos líquidos serão doados à UNESCO, da qual tanto a Seventeen como a Williams são embaixadores.

@rinascente.official POP MART LOVERS.. Oggi abbiamo inaugurato al piano -1 di #RinascenteMilano il pop up di @POPMARTIT ! Ti aspettiamo in store fino al 1º settembre per scoprire le iconiche Blind Box con i tuoi personaggi preferiti. #popmart #popmartit #labubu #rinascente #rinascentemilano original sound - Labubu

E assim, a Labubu entrou no mundo da moda — primeiro com um pop-up na Rinascente, depois com uma roupa desenhada pela Sacai. O sucesso destes brinquedos de pelúcia é um sinal dos tempos em que vivemos, bem como uma confirmação dos desafios enfrentados pelas indústrias da moda e da beleza. Se há alguns anos as marcas podiam contar com luxos acessíveis, como batons, para se manterem à tona em tempos de crise — o termo índice de batom foi cunhado por Leonard Lauder em 2008 — hoje mesmo os tons labiais não conseguem elevar o ânimo dos consumidores. As novas estrelas do momento são os brinquedos — mais precisamente, do tipo que podemos mostrar: Sonny Angels, Hello Kitty, Labubu e a Birkinification. Enquanto a fabricante chinesa de brinquedos Pop Mart vale agora 34 bilhões de dólares (mais do que Sanrio, Hasbro e Mattel juntas), o setor de beleza está mostrando sinais de fadiga: no primeiro trimestre do ano, a Coty registrou uma queda de 6% na receita, a divisão de perfumes e cosméticos da LVMH - incluindo a Sephora - permaneceu estável e o crescimento da L'Oréal foi modesto 3,5%, muito abaixo de seus números anteriormente estelares. Olhando mais de perto, poder-se-ia mesmo felicitar Hailey Bieber por vender a Rhode por mil milhões de dólares bem a tempo.

Será que o novo mercado de luxo são os brinquedos? Que os consumidores preferem agora investir em roupas de pelúcia em vez dos seus próprios roupeiros? Parece que entramos na era do Índice Labubu. Com notícias alarmantes de todos os cantos do globo, o medo de ser enganado (ou substituído) pela inteligência artificial, e o stress causado pela incerteza económica, a nostalgia parece ser o remédio mais eficaz para acalmar os nossos medos. Afinal, o lançamento simultâneo de Barbie e Oppenheimer em 2023 foi um dos primeiros sinais do grande paradoxo estético ao qual a moda logo sucumbiria: roupas básicas, luxo silencioso e guarda-roupas sem logotipo versus a explosão selvagem de bugigangas coloridas, brinquedos de pelúcia e bugigangas exibíveis. Noutras notícias, a Uniqlo está prestes a lançar uma colaboração com a Sylvanian Families: por isso, se comprar brinquedos que nunca vai usar faz com que se sinta culpado, comprar uma t-shirt com a imagem deles pode ajudar-te a justificar a despesa.

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