
Dior foi absolvida da acusação de exploração no trabalho Segundo a investigação, foram produzidos sacos por 53 euros
ATUALIZADO 21/05/2025: Após uma investigação de um ano da Autoridade da Concorrência italiana às “condições de trabalho e cumprimento da lei em determinados fornecedores de artigos de couro” da Dior, acaba de ser entregue o veredicto. A Maison francesa foi inimposta de qualquer irregularidade, mas será, no entanto, obrigada a fornecer 2 milhões de euros em ajuda ao longo de cinco anos às “vítimas da exploração”.
A questão do outsourcing de luxo regressa. Na sequência de investigações sobre Alviero Martini srl e Giorgio Armani Operations srl, o Tribunal de Milão abriu um inquérito a outra marca: Manufactures Dior srl, o ramo de produção italiano da gigante francesa Dior. Os magistrados milaneses, coordenados pelos procuradores Paolo Storari e Luisa Baima Bollone, acusam a empresa de não conseguir prevenir e travar a exploração laboral no ciclo produtivo, com o objetivo de maximizar os lucros através da poupança nos custos laborais, segurança dos funcionários, e procedimentos fiscais. As malas Dior, vendidas nas lojas por 2,600 euros, custam ao gigante francês apenas 53 euros. Foram produzidos por trabalhadores chineses explorados em fábricas localizadas nas zonas de Milão e Brianza. Os fabricantes Dior srl alegadamente facilitaram essas dinâmicas de exploração ao não verificar o cumprimento das regulamentações trabalhistas. A administração judicial ordenada pelo Tribunal visa retificar essas relações com as empresas fornecedoras e os seus subcontratantes.
As investigações, iniciadas em março de 2024, envolveram quatro fábricas. Em particular, duas empresas ativas na produção de artigos de couro: Pelletterie Elisabetta Yang e New Leather srl. Nestes armazéns, a polícia teria encontrado trabalhadores em condições de fábrica vitorianas. Numa fábrica na Ópera, perto de Milão, os carabinieri encontraram 17 trabalhadores chineses e 5 filipinos, a trabalhar entre solventes e colas inflamáveis, em máquinas adulteradas para aumentar a produtividade. Os trabalhadores, muitos sem contratos regulares, viviam no armazém, onde havia uma kitchenette, sete quartos de dormir, e duas casas de banho em condições sanitárias precárias. Em Cesano Maderno, três trabalhadores tentaram mesmo fugir com a chegada dos carabinieri mas foram parados. Também aqui as condições de trabalho eram precárias, com os trabalhadores instruídos a mentir em caso de inspecções. As atividades laborais estiveram em pleno andamento das 6:30 da manhã até tarde da noite, incluindo feriados. Segundo a portaria, não se trata de incidentes isolados mas sim de um sistema de produção bem estabelecido, em vigor há décadas. A externalização dos processos produtivos permitiu cortar custos ao não pagar encargos contributivos, salariais e fiscais. No total, foram encontrados 32 trabalhadores, 7 dos quais fora dos livros e 2 ilegais, com salários abaixo dos limiares mínimos, em ambientes insalubres e não autorizados, sem dispositivos de segurança para proteger os trabalhadores de agentes químicos.
Still can’t believe there are people who actually think that “luxury” brands like Louis Vuitton are priced so high because their products are somehow better quality than others. It’s literally a sweatshop bag that costs $5 to make. You’re paying for a bunch of logos. That’s it.
— Chloe (@jajankuro) July 25, 2021
Segundo os juízes, a Manufactures Dior não verificou a real capacidade empreendedora das empresas contratantes, revelando-se inadequada no controlo dos processos produtivos. Cinco proprietários das oficinas também foram investigados por gangmasterização, abusos de construção e faturas inexistentes. As coimas aplicadas ascendem a 138.000 euros, com sanções administrativas no total de 68.500 euros e a suspensão de atividade para as quatro empresas subcontratantes. Na sequência destas investigações, o presidente do Tribunal de Milão, Fabio Roia, sugeriu o início de uma mesa de discussão sobre o setor da moda, semelhante à do setor da logística. O objetivo é assinar um protocolo com a Prefeitura de Milão, a inspecção do trabalho, e operadores do setor para travar a exploração laboral no setor da moda. As investigações mostram que não se tratam de episódios isolados mas sim de práticas de exploração sistémica, que requerem a erradicação de intervenções sistémicas.












































