
A FW 2026 Couture de Robert Wun leva-o de volta à infância Uma coleção que celebra a mais pura forma de criatividade
Como ver o ballet Quebra-Nozes pela primeira vez, suspiros de maravilha surgiram em uníssono na entrada de cada look durante o desfile Couture FW 2026 de Robert Wun. Cada um é uma personagem fantástica, tão única como os protagonistas mais amados de Tchaikovsky, desde a Fada da Ameixa Açúcar à Rainha da Neve. Intitulada Childsplay, a coleção incorpora plenamente o espírito de imaginação que rege a infância, impregnado de uma sensação de liberdade criativa que conseguiu transformar até algo tão sério como um espetáculo de alta costura num espetáculo capaz de despertar a criança interior de todos os presentes.
“Acreditar no poder da imaginação, que a coragem de criar é muito maior do que o desejo de consumir” — são estas as palavras que inspiram a coleção, uma frase que deveria, pelo menos por um momento, atravessar a mente de todo diretor criativo de alta costura que ultimamente tem sido um pouco esmagado pelas exigências comerciais de uma indústria em crise. E assim, enquanto outros tratam a Couture como uma oportunidade de posicionamento mediático, o designer de Hong Kong sonha com a alfaiataria surrealista de um tempo que já não existe, conseguindo paradoxalmente ser inteiramente do momento precisamente por causa desse sonho.
Dezenas de balões coloridos decoram a crinolina de um vestido preto com uma silhueta conservadora, cujas alças ecoam a redondeza dos insufláveis que carrega consigo. Máscaras totalmente transparentes adicionam um ar de mistério aos looks tradicionalmente de alta costura, como o longo vestido de noite coberto por longas e finas penas brancas, enquanto outras peças liberam ainda mais a inocência criativa no coração do espetáculo com referências extremamente literais — entre elas um volumoso tutu rosa usado com um corpete rígido com bordas irregulares, aparentemente derretidas, e um chapéu coberto por uma estatueta de uma bailarina giratória.
Os looks mais minimalistas — se é que se podem chamar assim — foram complementados por acessórios de grandes dimensões, como um ursinho de pelúcia, um capacete com chifres e uma enorme borboleta brilhante empoleirada no peito. As peças mais elaboradas, entretanto, inspiraram-se em ícones da cultura internacional da infância: do Arlequim, reimaginado como um terno com um bolero salpicado de pintura, a um esqueleto vestindo um casaco, e finalmente a Cinderela, cuja influência parecia inspirar primeiro os arcos azuis que se erguiam acima da cabeça de uma modelo, depois duas pombas realistas levantando um par de alças azul-elétricas. Em suma, apenas três anos depois da sua estreia na Couture Week, Robert Wun voltou a deixar a sua marca — e talvez mais do que qualquer outra pessoa esta semana: mais uma confirmação do quanto a nova guarda da Alta Costura ultrapassou os veteranos de Paris.






























































