
Novos criativos a ter em atenção no ITS Contest 2025 Um ano recorde no concurso para jovens designers em Trieste
Para perceber qual será o futuro do design de moda, é preciso ir a Trieste, onde nos últimos 23 anos se realiza o Concurso ITS. A iniciativa de scouting, fundada por Barbara Franchin em 2002, visa promover e apoiar jovens criativos. Para isso, a ITS disponibiliza os espaços da Arcademy aos designers para dez dias de residência, onde poderão utilizar novas ferramentas e aprender com alguns dos melhores representantes da indústria da moda. Este ano, a Fundação deu um passo extra na promoção de novos talentos, decidindo estender o prémio inicial de 10.000 euros a todos os participantes selecionados. É realmente uma oportunidade imperdível para todos os setores do sistema de moda italiano e internacional: os jovens talentos escolhidos pelo ITS têm a oportunidade de se dar a conhecer, perceber que direção tomar após a formatura, ou mesmo aprender a lançar o seu próprio negócio; os membros do júri conseguem compreender os interesses das novas gerações e possivelmente descobrir novos criativos para recrutar para os seus ateliers, enquanto a imprensa ganha uma visão direta dos valores e estado da moda futura. Durante as apresentações dos dez designers e das suas coleções na ITS Arcademy, um espaço que mescla arquivo e academia (e representa o primeiro museu de moda contemporânea em Itália), os seus valores emergiram como a força motriz por trás de cada projeto. Do bem-estar à sustentabilidade, da preservação da memória à funcionalidade e inclusão, os participantes do ITS Contest 2025 ofereceram uma prévia de tudo o que a moda vai focar nos próximos anos.
Mais do que uma competição, o ITS Contest oferece “uma experiência partilhada”. Durante o período de residência, os participantes têm a oportunidade de trocar ideias, colaborar e desafiar-se. Os designers selecionados para a nova edição (processo de seleção que também envolveu um júri composto por inúmeras figuras consagradas como Andrea Rosso, Serge Carreira, Orsola de Castro, Sara Sozzani Maino, Marco Sammicheli, Carlo Giordanetti, Emanuele Coccia, Luca Rizzi, Maria Sole Ferragamo, Matteo Ward, Stefano Gallici) são talentos excepcionais. Naya El Ahdab, designer francesa nascida em 2002, criou a coleção Neuroblastome para pessoas com deficiência, misturando elegância à medida, silhuetas esculturais e cores neutras. Os looks, incluindo trench coats, vestidos e o inovador vestido sentado, são projetados para aumentar o conforto sentado por meio de acolchoamento, enquanto pregas e estruturas macias elevam o design. Outro exemplo é Macy Grimshaw, também francesa, nascida em 2001, que encontrou inspiração na avó para a sua coleção, abordando o tema da doença de Alzheimer e os seus efeitos de uma forma doce e nostálgica. O papel é protagonista da sua colecção Rue de Mauricette, servindo de ferramenta fundamental para memórias e recordações. As fotos da juventude da avó eram impressas em grandes cartazes e usadas como estavam, enquanto as cartas do marido eram impressas num terno cor de pele, desaparecendo naturalmente com o tempo.
Depois, há Qianhan Liu, designer chinês nascido em 1998, que explora temas como a busca obsessiva do bem-estar e o estilo de vida utópico contemporâneo numa coleção filosófica, inspirando-se igualmente nas culturas ocidental e oriental. O estilo preppy americano, a alfaiataria tradicional e o drapeado encontrado nos templos do Leste Asiático convergem em looks onde a madeira, impressa em couro, se transforma em vestidos, jaquetas, calças e sapatos. Para além da residência e dos 10.000 euros distribuídos aos participantes da nova edição, o ITS Contest e os seus apoiantes disponibilizaram inúmeros outros prémios. O vencedor do prémio do júri, Maximilian Raybor, receberá um serviço personalizado da Fundação adaptado às suas necessidades, reafirmando o compromisso da ITS Arcademy em apoiar verdadeiramente os seus alunos. Raybor, nascido em 1998, conquistou o júri com o seu Manor for Heaven, mostrando criatividade e expressão dramática. Os seus looks incorporam o espírito sonhador e narrativo do designer, que se inspirou na história e no teatro para criar um universo dedicado à comunidade dos oprimidos engajados num protesto antipatriarcal.
Numa nova edição cheia de talento, o ITS Contest voltou a ser uma plataforma representativa das novas gerações e o rumo da moda do futuro. A Fundação teve ainda a oportunidade de enfatizar a importância da colaboração numa altura em que o sistema de moda italiano (e internacional) enfrenta desafios profundos. Durante a conferência de imprensa, esteve também presente a subsecretária da Cultura, senadora Lucia Borgonzoni, afirmando que a moda deveria estar mais integrada nas iniciativas do Ministério da Cultura. Para apoiar isso, Borgonzoni acrescentou, “começamos com o PNR e os 155 milhões alocados a empreendimentos culturais e criativos, e pressionamos por uma secção dedicada sobre moda na lei Made in Italy”. Durante a conferência, Barbara Franchin afirmou que a ITS beneficiaria “grandemente do apoio do sistema italiano”. O fundador enfatizou que a Itália é “uma nação que prospera no setor da moda, por isso devemos aprender a trabalhar em equipa e construir um sistema”. As palavras de Franchin confirmam mais uma vez que, apesar do vasto conjunto de talentos de Itália, o país precisa de melhores ferramentas. A Fundação ITS, da bela cidade de Trieste, está a demonstrar como isso pode ser feito.












































































