
30 anos de Supremo Como a anti-moda se tornou moda
Na quinta-feira, 25 de abril, ocorreu uma das quedas do Supremo mais interessantes dos últimos anos. Para celebrar os seus 30 anos de história, a marca sediada em Nova Iorque lançou a 30th Anniversary First Tee, uma camiseta gráfica simples com uma estampa que lembra a primeira t-shirt lançada em 1994. A 30th Anniversary First Tee não foi o único destaque do drop: a tão aguardada camisa partilhou o seu momento de glória com a trilogia 30 Years T-Shirt — uma coleção literária de todas as t-shirts produzidas pela Supreme de 1994 a 2024. Foi uma queda simbólica, que conseguiu agradar a todos, mas acima de tudo, conseguiu suspender as controvérsias em curso relativamente às recentes decisões da marca e as da VF Corporation, dona da Supreme desde 2020.
Na sequência da demissão de Tremaine Emory — a primeira diretora criativa “externa” nos trinta anos de história da Supreme, que, no entanto, deixou a marca acusando-a de racismo sistémico — surgiram muitas questões sobre o futuro da marca. A figura de Emory foi certamente muito divisiva e consolidou duas facções distantes: uma que apoiava o trabalho do norte-americano e enfatizava como a marca tinha finalmente recuperado uma alma perdida há algum tempo, a outra que condenava a escolha da marca adquirida pela VF Corporation para deixar a direção criativa nas mãos do fundador da Denim Tears. Mas o burburinho em torno das recentes quedas (especialmente a colaboração com a MM6 Maison Margiela) sugere que o destino da Supreme está menos ligado a um diretor criativo e mais a recuperar o entusiasmo público, ao mesmo tempo que procura um compromisso com um público que mudou significativamente ao longo dos anos.
Como começou o fenómeno Supremo
Era 1994 quando James Jebbia — empresário que abriu a primeira loja Stüssy em Nova Iorque, juntamente com Shawn Stussy — inaugurou a primeira loja Supreme na Lafayette Street, Nova Iorque. Além de ter uma equipa sólida de skatistas que frequentavam a loja ou simplesmente passavam os dias nas ruas circundantes (o famoso diretor Harmony Korine descreveu a loja como um mero “ponto de encontro”), a Supreme não tinha nada de novo para oferecer no mercado. Os primeiros produtos que emergiram da mente de Jebbia foram verdadeiramente essenciais: uma t-shirt com o logotipo da caixa e uma camiseta gráfica representando o rosto de Robert De Niro como Travis Pickle em Taxi Driver. O verdadeiro talento da Supreme era alavancar a comunidade do skate — praticamente o mesmo que retratado em Kids por Larry Clark (escrito pelo próprio Harmony Korine) e nos mais recentes meados dos anos 90 de Jonah Hill — mas também adotar o que mais tarde se tornou um modelo de negócio de ponta ao introduzir o conceito de “escassez” que mais tarde se tornaria uma pedra angular da cultura do hype. Para James Jebbia, vender poucos artigos em quantidades limitadas foi uma estratégia inovadora que lhe permitiu manter-se orientado para o cliente. Em suma, limitar quantidades tem sido o modus operandi da Supreme desde o primeiro dia, uma das principais razões pelas quais a marca ainda hoje tem muitos fãs fiéis. A estratégia surgiu por necessidade numa altura em que a loja principal estava praticamente sempre vazia. Jebbia confiava no conceito de escassez porque não dispunha de recursos suficientes para garantir um sortimento constante de mercadorias à venda, pelo que a única solução era produzir menos. A solução de Jebbia era brilhante: repor semanalmente clientes habituados a visitar a loja no dia do lançamento, criando uma espécie de ritual que ainda caracteriza o Supreme no imaginário coletivo.
O impacto da Supreme no mundo da moda
Ao longo dos anos, várias figuras proeminentes da indústria da moda têm manifestado o seu reconhecimento da influência da Supreme no setor. Uma das citações mais famosas foi expressa por Brendon Babenzien, fundador da Noah e ex-designer Supreme: “A Supreme criou o mundo em que todas as marcas de moda vivem hoje.” No entanto, na sua jornada para se tornar um verdadeiro estudo de caso, a Supreme optou por adotar uma abordagem de marketing “anti-mercado”. Até 2006, a marca nem sequer tinha presença no e-commerce, recusou-se a aparecer em outdoors nas grandes capitais da moda, e fazia da irreverência um dos seus traços distintivos. Ao longo dos anos, criou rip-offs com os logótipos da Coca-Cola (1997), Burberry's check (1997), e monograma da Louis Vuitton (2000) — lançando inclusive uma camisa com o exemplar “FUCK NIKE” (2001), exclusivamente para amigos e família — ao mesmo tempo que se alinha perenemente com os nomes dos artistas contemporâneos mais influentes, de Keith Haring a Damien Hirst, passando por Andrés Serrano e muitos outros. Paralelamente aos diálogos com os maiores artistas do mundo, a Supreme aproximou das fileiras nobres da moda graças às colaborações anuais com a Comme des Garçons e Jean Paul Gaultier, inaugurando um dos prazos mais simbólicos de todos: de 2012 a 2018, que inclui, é claro, a colaboração divisória com a Louis Vuitton no contexto da Era Hypebeast - recontada no volume 2 da trilogia 30 Years T-Shirt.
Em suma, como afirma Angelo Baque (fundador e designer da Awake New York), “nunca haverá uma marca a par da Supreme” — uma afirmação que soa tanto como uma bênção como uma maldição para a marca na busca constante de satisfazer uma base de fãs verdadeiramente complicada. Não há fundos de investimento que detenham, nem especulações sobre quem será o próximo diretor criativo da marca: a Supreme é imortal desde muito antes de James Jebbia levantar o shutter da loja da Lafayette Street; nenhuma marca conseguiu narrar tanto a contemporaneidade como a Supreme, e será difícil, hoje como no futuro, tirar o título de inovador à marca.













































