
As nomeações aos Óscares de 2024 não são novidade Barbie esnobada pela crítica, mas Ken reluta
Ontem de manhã foram anunciadas as nomeações para o Óscar 2024, o evento que celebra o seu 96.º ano e que terá lugar no dia 10 de março no Dolby Theatre em Hollywood. Como esperado, Oppenheimer foi o filme que mais nomeações recebeu, seguido de Poor Things! e Killers of the Flower Moon. Numa estranha reviravolta, nem o realizador nem a atriz principal da Barbie, o projeto que teve o melhor desempenho do ano, tornando-se o décimo quarto filme de maior bilheteria da história do cinema, foram incluídos nas nomeações aos Óscares. Apesar de receberem oito nomeações, entre as quais Melhor Filme e Roteiro Adaptado, Greta Gerwig e Margot Robbie não conseguiram impressionar o júri da Academia. Muitos notaram uma certa ironia na nomeação de Ryan Gosling para Melhor Papel Coadjuvante; o filme critica o patriarcado, a misoginia, e a opressão sistémica das mulheres na nossa sociedade, mas será apenas reconhecido o trabalho de Ken?
No Best Director nomination for Greta Gerwig. #Oscars2024 pic.twitter.com/6jxuyZ1Tid
— Sophie Vershbow (@svershbow) January 23, 2024
Na sequência do anúncio das nomeações aos Óscares, Gosling divulgou um comunicado sobre a sua nomeação. “Não há Ken sem Barbie, e não há nenhum filme da Barbie sem Greta Gerwig & Margot Robbie [...] Nenhum reconhecimento seria possível para ninguém no filme sem o seu talento, coragem e génio. Dizer que estou desapontado por não estarem nomeados nas suas respectivas categorias seria um eufemismo.” Aliás, é absurdo que a Academia não se tenha sentido obrigada a reconhecer os criadores de um filme que alcançou um sucesso recorde de bilheteira, tornando-se num colossal fenómeno mediático. Sem a direção de Gerwig, a produção e atuação de Robbie, o mundo inteiro nunca teria se apaixonado pelo mundo da Barbie. Não ler os seus nomes, mas apenas os de Gosling entre as nomeações, confirma a desvantagem que as mulheres devem enfrentar, mesmo num contexto criativo e “livre” como Hollywood. Como indicam as nomeações de Melhor Realizador, a competição deste ano foi forte: Martin Scorsese para Killers of the Flower Moon, Christopher Nolan para Oppenheimer, Yorgos Lanthimos para Poor Things! , Justine Triet para Anatomia de uma Queda e Jonathan Glazer para A Zona de Interesse. Estamos confiantes de que a falta de uma nomeação ao Óscar não vai arruinar os dois artistas, mas é como se a história tivesse acrescentado um capítulo extra ao guião de humor negro de Gerwig.
With ‘Killers of the Flower Moon,’ Lily Gladstone makes Oscar history as the first Native American Best Actress nominee #Oscars #Oscars2024 pic.twitter.com/o5Yn5drFJE
— Erik Anderson (@awards_watch) January 23, 2024
Deixando de lado a questão da Barbie por um momento, estes Óscares marcam um acontecimento monumental na história de Hollywood. Lily Gladstone, a estrela do mais recente projeto de Scorsese, é a primeira atriz nativa americana a ser nomeada para uma estatueta dourada. Ao lado das colegas Emma Stone, Carey Mulligan, Sandra Hüller e Annette Bing, a sua nomeação é talvez o único sinal verdadeiro dos tempos nestes Oscars, um evento que se aproxima do seu centenário que, ao longo dos anos, premiou apenas três realizadoras: Zhao para Nomadland, Kathryn Bigelow para The Hurt Locker e Jane Campion por The Power of the Dog. Os adeptos do cinema justo só podem esperar que estes Óscares tragam ovações de pé a todas as mulheres que conseguiram concorrer ao reconhecimento, de Lily Gladstone a Justine Triet.








































