
História do estilo inconformista de Diane Keaton E aquela gravata em Annie e eu que convenceu tantas mulheres a fazer compras na secção masculina
No dia 3 de setembro, Diane Keaton: Fashion First (Rizzoli) desembarcou nas prateleiras das livrarias, um livro em que a atriz explora o seu próprio estilo refazendo a sua evolução estética do set para a vida real. Alguns poderão lembrar-se de Keaton pelo seu papel como a companheira inteligente e leal de Al Pacino na trilogia de O Poderoso Chefão, onde interpretou Kay Adams, enquanto outros a identificam como um ícone cinematográfico da independência feminina graças a filmes como a comédia The First Wives Club. No entanto, toda a gente, quando ouve o nome Diane Keaton, pensa no inconfundível olhar andrógino da estrela como Annie Hall — um papel que lhe valeu um Óscar. Era 1977 quando Keaton entrou no imaginário coletivo com a comédia romântica Annie Hall de Woody Allen, na qual interpretou a ex-namorada de Alvy Singer. O seu estilo no set, caracterizado por blazers, coletes, calças largas e gravata, foi uma verdadeira revolução para o guarda-roupa feminino: no prefácio de Diane Keaton: Fashion First, Ralph Lauren escreve: “Muitas vezes sou creditado por vestir Diane no seu papel vencedor do Oscar em Annie Hall. Isso não é verdade. O estilo da Annie era o estilo da Diane.” A observação do designer foi também reiterada várias vezes pelo realizador do filme, Woody Allen, que respondeu às dúvidas da figurinista Ruth Morley: “Ela é um génio. Deixe-a fazer o que quiser, deixe-a vestir o que quiser.”
Após o lançamento de Annie Hall (1977), os looks que Diane Keaton apresentou no filme tornaram-se um fenómeno na moda feminina dos anos 70, influenciando gerações de mulheres a questionar os estereótipos de género. A inspiração da estrela parece derivar da sua genuína admiração pelo ator Cary Grant. “Ele era o meu ídolo, e eu admirava-o imensamente a vê-lo nos filmes; queria imitá-lo. Adoro fatos grossos e estruturados. Acho que o masculino é feminino”, diz a atriz. Para desenhar Annie, Keaton conta com looks em camadas enriquecidos por acessórios que destacam a sua individualidade, como óculos, luvas e um chapéu-coco vibrante. A atriz incorpora várias camadas de tecido como se cada uma fosse uma expressão de uma parte de si mesma: o segredo está em acrescentar, em vez de remover. “Se tivesse de descrever o meu chamado 'street style', diria: REMOVA O MEU CORPO INTEIRO... Infelizmente, preciso de um nariz e de uma boca para viver e respirar, mas isso não significa que tenho de os mostrar”, explica em Fashion First. Não é surpresa, então, que quando perguntada qual celebridade admira pelo seu estilo e estética, Keaton responde a Karl Lagerfeld. “Porque ele não tinha medo de encobrir e eu também não”, explica.
No livro, a atriz fala ainda da sua paixão pelas feiras de pulgas e lojas de roupa em segunda mão, interesse herdado da mãe. Entre as lembranças mencionadas, Keaton escreve também sobre não ter permissão para usar o chapéu-coco para a formatura porque a mãe o proibiu: anos mais tarde, esse mesmo acessório viria a ser um símbolo do seu estilo inconformista. Inesquecível foi 2004, quando o ostentou na cerimónia dos Óscares emparelhado com um smoking Ralph Lauren, uma gravata de bolinhas e saltos altos. Nesse mesmo ano, a atriz apareceu nos Globos de Ouro num look todo branco, composto por sapatos bordados, luvas, e um longo colar de pérolas. Também usava uma saia larga de tule, outro elemento básico no guarda-roupa do Keaton. Frequentemente emparelhadas com cintos largos na cintura, as saias compridas permitem-lhe brincar com volumes e geometrias. Memorável, por exemplo, foi a saia sereia usada em 2007 no Lincoln Center em Nova Iorque, ou a que exibiu nos David Donatello Awards em 2018, para não falar da saia xadrez dos Globos de Ouro em 1994.
A harmonia com a estética de Ralph Lauren manteve-se evidente mesmo nos últimos anos, atingindo um novo pico nos Óscares de 2020, quando a atriz usava um casaco de lã e caxemira com um padrão xadrez, um cinto na cintura e um chapéu de boliche — um retrocesso nostálgico aos anos dourados. Ao longo do tempo, Keaton introduziu elementos mais ousados, quase ousados que podem parecer diferir da estética de Lauren mas na verdade realçam a personalidade única da atriz. Exemplos incluem as botas de combate ou os colares cruzados que usou na estreia de Green Eggs and Ham em 2019, bem como na estreia de Crimes do Coração em 1989, ou as inserções em pele, desde luvas simples ao look total em pele usado na estreia de What Women Want em 2000. Seguramente, as escolhas de estilo de Keaton sempre transmitiram fortes mensagens de coragem e independência, umas mais explícitas que outras. Um exemplo? O chapéu com as palavras “Votar cadelas” usadas na rua em 2020. Um acessório que, ainda hoje, poderia vir a calhar.





















































































