Primavera ainda é a época dos ténis skinny Um espaço em que a indústria da moda quer entrar, mas onde poderá enfrentar alguma resistência

A tendência dos ténis skinny é estranha: por um lado presta-se a inúmeras reinvenções e parece não querer desaparecer, enquanto por outro algumas marcas como Valentino, Dior e Off-White parecem prontas a deixá-lo para trás para as próximas temporadas. Ao mesmo tempo, está a empurrar as marcas de luxo e do mercado médio para uma competição curiosa para ver quem consegue produzir o modelo mais comercializável do mercado.

As duas marcas que dominam o mundo dos ténis skinny, nomeadamente Converse e Vans, introduziram ambas novas linhas e colaborações que oferecem versões premium em couro, nubuck ou com acabamentos animalier dos seus designs mais clássicos — precisamente enquanto o mundo do luxo desce no setor com um arsenal cheio de ténis tão finos que parecem luvas. Isto leva-nos a acreditar que nos próximos meses não serão apenas jeans ou celebridades de Hollywood a ficarem magras de novo, mas também muitos sapatos.

Vancar a concorrência com o soco

É muito interessante ver como, nos últimos meses, tanto a Converse como a Vans expandiram as suas ofertas com propostas dirigidas a segmentos de mercado superiores. A Converse, através da nova linha First String e da tripla colaboração com Unvicated e os Los Angeles Dodgers, recriou essencialmente as suas All Stars em todos os acabamentos de couro exótico imagináveis, de píton a avestruz. Já a Vans colaborou com a Haven no modelo 44 Vibram em camurça e nubuck; com Engineered Garments on a Slip-On 98 com painéis de camurça e couro; e em janeiro lançou tanto a sua colaboração com a Valentino como um slip-on de camurça chamado Vans Harbor Mule.

Todos estes lançamentos partilham a mesma elevação dos modelos clássicos de ambas as marcas, destinados a responder quer às muitas versões de luxo propostas pelas marcas de moda durante a Fashion Week, quer às versões mais ou menos híbridas — entre sapatilhas de ballet e sapatos de deck — que, por exemplo, a Celine tem defendido fortemente. Para se diferenciarem das duas marcas mais massivas do mercado, rótulos como Jacquemus ou Dres Van Noten evocaram ténis que ainda são planos e baixos, ainda muito simples, mas com uma inspiração vintage mais “invulgar”.

As dificuldades de reinventar a roda

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Ann Demeulemeester FW26
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Antonio Marras FW26
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Cecilie Bahnsen FW26
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IM MEN FW26
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Brunello Cucinelli FW26
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Agnes B. SS26

Um par de ténis bem escolhido pode tornar-se uma peça altamente rentável para o negócio de qualquer marca. Basta pensar como os ténis da McQueen mantiveram a marca à tona, num ponto representando até 80% da receita total, ou — numa nota definitivamente mais positiva — como a entrega na Dires Van Noten foi auxiliada pelo extraordinário sucesso dos ténis baixos da marca. Na Prada, o sucesso dos belos ténis Collapse encorajou certamente tanto uma nova linha de ténis de lona branca vista no desfile SS26 como o lançamento dos novos ténis Miu Miu no recente desfile FW26.

Mas reinventar a roda é difícil: as marcas OG de ténis skinny podem ter uma vibração ligeiramente adolescente ou velhinha (vamos incluir Superga e Sperry nesse grupo também), mas o facto de terem optado por oferecer os seus modelos originais em materiais mais elevados sugere que acreditam honestamente que podem dar às verdadeiras marcas de luxo uma corrida pelo seu dinheiro. Estão a contar tanto com a massa de clientes aspiracionais que vão optar pelas suas versões premium como com um posicionamento muito inteligente, uma vez que é possível comprá-los apenas em lojas físicas nos mesmos retalhistas multimarcas que vendem marcas indie de luxo como Slam Jam, Le Bon Marché, ou Dover Street Market.

Interceptar o novo cliente

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Celine FW26
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Prada FW26
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Coach FW26
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Dries Van Noten FW26
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Louis Vuitton FW26
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Dolce & Gabbana FW26
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Polo Ralph Lauren FW26
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Jacquemus FW26

A aposta aqui diz respeito a uma lógica de escassez e um foco na experiência física na loja que não só espelha uma atitude típica de luxo — nomeadamente a ênfase na transação in-store — mas também tenta interceptar esse público nos próprios locais onde seria mais natural comprar produtos de concorrentes mais luxuosos. Entre os outros detalhes inteligentes do novo modelo está também uma nova palmilha que visa superar a resistência de quem não pode usar sapatos de baixo perfil.

Mesmo na frente do brand equity, quando se fala em marcas como a Vans e a Converse, pode não haver a aura de luxo envolvida, mas o campo de jogo entre as várias opções está quase nivelado, dado que sapatos deste género também são bastante transversais entre as classes sociais: Carolyn Bessette-Kennedy usou literalmente a Converse, tal como o seu sogro John Kennedy antes de se tornar presidente.

O facto de as marcas de ténis skinny OG e as do mundo da moda acabarem por competir entre si em terreno comercial comum sugere que, dadas as condições da indústria do luxo e o esvaziamento daquele mercado intermédio onde ainda se encontram estes ténis, esse terreno comercial muito comum é um território a ser reconquistado. Os seus clientes, por mais ricos que sejam, poderão ainda ver melhores ofertas do que as oferecidas pelo luxo e entregar a coroa da verdadeira marca de ténis de verão a nomes que não esperaríamos.

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