
A reformulação da New York Fashion Week terá sucesso? CFDA e KFN planeiam repor American Fashion Week
Durante a New York Fashion Week, em fevereiro, foi apresentada uma nova parceria entre o CFDA (Council of Fashion Designers of America) e a KFN, uma nova organização de apoio aos designers da Big Apple. A colaboração começará oficialmente em setembro, durante o mês da moda dedicado à moda feminina, e visa transformar radicalmente a NYFW — e, consequentemente, o futuro da moda americana. Este é um momento crítico para o sistema de moda americano: as maiores marcas do país, de Tommy Hilfiger a Ralph Lauren, estão a tentar recuperar o poder que perderam nos últimos anos depois de se renderem à distribuição em massa, enquanto empresas mais pequenas ou independentes estão a mudar para Londres e Paris, como Puppets and Puppets e The Row. Os esforços da indústria para reiniciar a moda nova-iorquina são muitos e admiráveis: a Capri Holdings, o conglomerado outrora proprietário da Versace, vendeu a marca ao Grupo Prada para se concentrar em Michael Kors; depois da greve de setembro passado, foi aprovada a Lei dos Trabalhadores de Moda para proteger freelancers, como modelos e designers independentes, e agora a KFN tentará trazer valor (e financiamento) de volta à New York Fashion Week.
A KFN é uma empresa nascida da fusão da KF Fashion e da N4XT Experiences, duas empresas de eventos e entretenimento: a primeira, uma divisão da Kilburn Media, vai financiar o projeto, enquanto a N4XT Experiences, que adquiriu a Los Angeles Fashion Week em 2022, contribuirá com a expertise do seu cofundador Imad Izemrane, que vai liderar a nova empresa juntamente com a ex-presidente de eventos da IMG Leslie Russo. Durante uma recente conferência de imprensa, alguns representantes da KFN partilharam o plano de relançamento da NYFW, revelando que se trata de um projeto de longo prazo idealmente previsto para concluir em 2027. O primeiro passo é o lançamento do Venue Collective durante a próxima semana de moda de setembro de Nova Iorque — um showroom aberto e espaço de exposição onde os designers podem apresentar as suas coleções gratuitamente. A KFN afirmou que a passarela estará disponível para cerca de trinta designers, para que possam não só poupar nos custos excessivos de recintos e espetáculos mas também ter melhores hipóteses de atrair a atenção de compradores e outros insiders da moda, que podem descobrir os novos talentos de Nova Iorque sem precisar viajar por toda a cidade.
Na sequência disso, serão lançados dois projetos focados no consumidor: um é o American Fashion Festival, agendado para 2026 e inspirado na Art Basel de Miami, que permitirá aos designers tipicamente excluídos do calendário oficial da NYFW apresentarem as suas coleções num espaço de acesso bilhete. No próximo ano, as iniciativas de engajamento da cidade começarão a arrecadar novos fundos, e uma plataforma digital será revelada para os participantes da NYFW. Apesar do apoio da KFN, o CFDA continuará a ser o principal organizador do evento, conforme esclareceu o conselho em comunicado. Levar adiante eventos focados no consumidor será uma das prioridades da KFN, embora a escolha possa arriscar a reputação da NYFW. Aproximar-se do público e dos consumidores típicos das marcas americanas (que, ao contrário de cidades como Paris, são muito mais aspiracionais e ligados ao street style) transformaria a NYFW de um evento privado e exclusivo numa celebração coletiva para toda a cidade — um projeto que, se bem executado, poderia finalmente ajudar a reiniciar a moda americana.







































