
Porque é que toda a gente está obcecada com o gorro Arc'teryx? No entanto, é impossível encontrar
É bastante invulgar um chapéu tornar-se num item de TI e ainda mais invulgar uma marca de outdoorwear ser emparelhada com um mini Chanel. No entanto, aconteceu. Timothée Chalamet, poucos dias antes da sua grande noite no Saturday Night Live, foi visto a andar pelas ruas de Nova Iorque num conjunto todo rosa (desenhado por Telfar e Chanel) emparelhado com o toque Arc'teryx. Para os olhos pouco treinados, o gorro pode parecer banal, mas tornou-se um dos artigos de moda mais procurados nos últimos anos. Agora (quase) impossível de encontrar, esgotado tanto online como na maioria das lojas, o toque atingiu um fascínio comparável a qualquer it-bag ou it-shoe da época. Tanto é assim que procurar por “gorro Arc'teryx” no Vinted produz resultados infinitos (e, curiosamente, quase todos a um preço inferior ao original). Então, porque é que todos estão obcecados com este chapéu?
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O primeiro a apresentar a marca canadiana outdoor à grande maioria do público foi Frank Ocean, que usou o gorro no desfile da Louis Vuitton durante a Paris Fashion Week em 2019. Um momento quase monumental que, com efeito, prenunciou a ascensão do gorp-core. E precisamente esta estética orientada pela funcionalidade elevou o Arc'teryx a um estatuto de marca de culto, levando a um aumento nas vendas a retalho. A Vogue Business informa que 2024 a marca registou um crescimento significativo: as receitas Direct-to-Consumer (DTC) aumentaram 40%, atingindo 449 milhões de dólares, enquanto o canal grossista cresceu 2%, atingindo 545 milhões de dólares. Não só isso mas em novembro passado, a Amer Sports, a empresa-mãe tanto da Arc'teryx como da Salomon, anunciou um crescimento de 17% e uma receita total de 1.35 mil milhões de dólares. Entre todas as marcas do grupo, a Arc'teryx esteve na vanguarda desta expansão. O gorro tornou-se um símbolo de moda essencial entre milhões de jovens que navegam nas grandes cidades, usando-o como indicador de status. A tal ponto que, nas redes sociais, goza agora de um número tão forte de seguidores que se tornou num meme por si só: páginas como @nolitadirtbag (136K seguidores) e @patheticfashion (153K seguidores) publicam regularmente conteúdos irónicos sobre o tipo de pessoa que usaria este chapéu. No entanto, de acordo com o Chief Creative Officer da marca, este fenómeno foi inteiramente inesperado: “Não somos uma marca construída sobre tendências. Fazemos o mesmo tipo de produto técnico há 35 anos. Mas é interessante ver como estamos a transcender além da montanha.”
E esta mesma transição pode revelar-se uma faca de dois gumes. Na era das redes sociais, onde os ciclos de tendência se movem à velocidade da luz, tornar-se demasiado popular pode levar a uma reação negativa. Aquilo que antes era considerado cool, quando adoptado por demasiadas pessoas, corre o risco de se transformar num símbolo de algo superexposto. Não apenas ideologicamente mas também na prática: de acordo com um vendedor associado da marca, aproximadamente 90% dos beanies Arc'teryx vistos por aí são idiotas, já que a produção da marca não consegue acompanhar a procura. O debate mantém-se em aberto: com o seu traje inteiramente rosa e o gorro Arc'teryx, o Timothée Chalamet marcou o fim do frescor gorpcore da marca, ou ajudou a evoluir ainda mais a sua estética? “O estilo da foto de Frank Ocean em comparação com a de Timothée é muito diferente”, disse Mark Boutilier ao The New York Times, destacando uma transição clara da estética estritamente técnica de Ocean para a reinterpretação de Chalamet mais alinhada com a estética Y2K. No entanto, esta mudança estética é apenas a ponta do iceberg. Apesar do seu crescente apelo urbano, o Arc'teryx não foi concebido para os insiders da moda e não tem intenção de alterar o seu ADN. Stuart Haselden, CEO da marca, disse à Vogue Business que acredita que a Arc'teryx pode continuar a atrair consumidores sem persegui-los diretamente porque é precisamente a autenticidade da marca e os fortes laços com a montanha e o mundo exterior que a tornam tão desejável — mesmo para aqueles que realmente não a utilizam para a sua função técnica. Em suma, o toque Arc'teryx encarna como o workwear está a tornar-se o novo streetwear, provando que mesmo nos guarda-roupas das maiores estrelas da atualidade, um gorro de 45 dólares é um must-have.













































