
Dispositivos de monitorização da saúde são a mais recente fixação da elite Especialmente rastreadores que “avaliam” a quantidade de açúcar no sangue
Os dispositivos que monitorizam os níveis de açúcar no sangue são utilizados há anos por pessoas que sofrem de diabetes, como Nick Joneas que é o patrocinador de uma marca americana que os produz, mas recentemente, especialmente nos países anglo-saxónicos, a monitorização dos níveis de açúcar no sangue parece ter se tornado a última tendência entre as elites — juntamente com o interesse em alimentos saudáveis e tecnologias capazes de rastrear o estado de saúde. Hoje, 46% dos adultos no Reino Unido afirmam usar dispositivos de monitorização da saúde. Um exemplo destas ferramentas é a app Saúde no iPhone, que, entre outras coisas, monitoriza a frequência cardíaca quando ligada a um smartwatch. A Dra. Rachael Kent, professora no King's College London e apresentadora do podcast Digital Health Diagnosticed, disse ao Dazed que “as aplicações de monitorização da saúde e os wearables têm vindo a aumentar constantemente desde 2010, e hoje mais e mais pessoas estão a acompanhar vários aspetos da sua saúde”. A tendência arrancou desde que, nos últimos anos, surgiram inúmeras marcas que oferecem programas de fitness e nutrição direcionados, como o Lingo, Signos, Veri, e The Better Nutrition Program, que também disponibilizam aos seus clientes dispositivos específicos para monitorizar o estado de saúde.
Estar excessivamente consciente da saúde é pior?
@unherdtv “People are being rushed to maybe overly simplistic conclusions, thinking they’re part of a fully #scientific #study, and who knows whether the conclusions they reach are going to be good for them or not?” #UnHerd’s #FreddieSayers and #DeborahCohen, former #Newsnight #Health Editor, discuss whether the #science behind the #Zoe #nutrition app really adds up. Watch the full investigation on our #YouTube channel, at the link in the bio. #UK #US #News #Politics #ZoeApp #ZoeNutrition #Microbiome #GutHealth original sound - unherdtv
O mais popular entre estes programas é o ZOE, que se concentra na nutrição — tem mais de 130.000 subscritores e no Instagram, tem uma comunidade de mais de meio milhão de utilizadores. Especificamente, o ZOE “avalia” os alimentos com base na forma como eles afetam os níveis de açúcar no sangue: os utilizadores, usando o dispositivo apropriado de monitorização da glicemia, podem ver em tempo real o impacto das suas escolhas nutricionais — por exemplo, "poderá descobrir que alguns dos seus lanches e refeições saudáveis favoritos estão a ter um efeito negativo no seu corpo”, como afirma o site da marca. Mas será que toda esta consciência da saúde é realmente necessária?
Nicola Guess, nutricionista e investigadora da Universidade de Oxford, disse ao Dazed que, embora não seja problemático para indivíduos não diabéticos usar esses dispositivos, provavelmente não há uma necessidade real de o fazer, nem provas concretas de que esta abordagem melhore a saúde individual. Uma pessoa que testou o ZOE disse à revista britânica que, embora a experiência em si tenha sido interessante e bastante positiva, eles acreditam que é contraproducente, ou pelo menos controverso, que as pessoas tenham acesso a tantos dados sobre os seus corpos — o que as tornaria mais obcecadas do que qualquer outra coisa. Segundo o Dr. Kent, a automonitorização compulsiva da saúde pode levar a uma espécie de dependência, que por sua vez pode causar stress excessivo e desnecessário, bem como ansiedade, especialmente para aqueles que não sofrem de nenhuma patologia.
Vamos curar-nos com Inteligência Artificial?
Using AI in medicine requires a complete rethink of many things, starting from training the doctors, disrupting processes and also how insurances work. What to tackle first? How does culture of the medical and insurance industries affect this? @cxotalk @mkrigsman #cxotalk
— Arsalan Khan (@ArsalanAKhan) March 15, 2024
O desenvolvimento de tecnologias de monitorização da saúde está ligado ao aumento significativo de dados no campo da medicina. Neste sentido, no futuro, não é improvável que a própria inteligência artificial contribua para curar pessoas ou prevenir doenças. Já nestes anos, em todo o mundo, médicos e investigadores estão a colaborar para aproveitar esses recursos tecnológicos; mas também estão a ser avaliados limites, possíveis efeitos contraproducentes, e potenciais erros. A crença é que a inteligência artificial pode melhorar os cuidados de saúde em todo o mundo, mas apenas se a ética e os direitos humanos forem colocados no centro da sua implementação, conforme consta no relatório Ética e Governança da Inteligência Artificial para a Saúde, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste estudo, os investigadores identificaram vários princípios para garantir que a inteligência artificial para o atendimento ao paciente opera no interesse público e respeita a privacidade. O mais importante é a protecção da autonomia humana: os médicos devem, essencialmente, manter o controlo sobre os sistemas de saúde e as decisões finais em relação aos doentes.










































