
Trump voltou a mudar de opinião sobre tarifas da UE Deveres ou não deveres? Os planos do presidente dos EUA estão mais confusos do que nunca
“Não estamos à procura de fazer ténis e T-shirts, e queremos fazer equipamento militar”, afirmou o presidente dos Estados Unidos este domingo, explicando as razões por trás dos planos protecionistas do país. Trump explicou que o objetivo será criar “grandes coisas”, como chips, computadores, e ferramentas suportadas por inteligência artificial. Mas as enormes tarifas que o presidente norte-americano quer impor a todo o comércio externo são mais complexas do que esperava: esta sexta-feira, afirmou que recomendaria tarifas de 50% sobre bens europeus a partir de 1 de junho, avançando a operação que deveria entrar em vigor a 9 de julho. No entanto, dois dias depois, ao telefone com a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, decidiu conceder à Europa os noventa dias que tinham sido estabelecidos em abril. “Tivemos uma chamada muito simpática e concordei em movê-la”, comentou pouco depois em frente à imprensa americana. De acordo com o que von der Leyen afirmou no X após o telefonema com Trump, a Europa deverá agora ter o tempo necessário para fechar um acordo sustentável com os Estados Unidos à luz de tarifas muito mais acentuadas do que as previstas em abril passado, quando se esperava que ascendessem a 20%.
Good call with @POTUS.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) May 25, 2025
The EU and US share the world’s most consequential and close trade relationship.
Europe is ready to advance talks swiftly and decisively.
To reach a good deal, we would need the time until July 9.
A Europa continua assim a receber sinais mistos da presidência norte-americana. Na passada sexta-feira, Trump tinha decidido aumentar as tarifas para 50% em toda a Europa por acreditar que as negociações estavam a levar demasiado tempo, enquanto agora, depois de falar com o presidente da Comissão Europeia, voltou atrás e decidiu dar mais tempo à UE. Apesar de, tal como afirmou Trump este domingo, o presidente acreditar que os Estados Unidos não precisam de uma produção têxtil interna, podendo assim continuar a contar com exportações estrangeiras para o setor da moda, uma vez que anunciou que iria aumentar as tarifas sobre os bens europeus para 50%, os stocks dos conglomerados franceses de luxo LVMH e Hermès caíram 3% e 4%, juntamente com os da Kering, Prada e Burberry. Para já, a UE está sujeita a tarifas de 25% sobre as exportações norte-americanas de aço, alumínio e automóveis, e às chamadas tarifas “recíprocas” de 10% sobre o resto dos bens. Caso a tarifa suba efectivamente para 50% após o prazo de 9 de julho, em vez de 20% tal como estabelecido em abril, os preços dos bens de luxo poderão disparar. As duras tarifas que Trump quer impor à Europa parecem dever-se a uma relação comercial “injusta” entre Estados. Segundo o governo dos EUA, em 2024 a UE exportou bens no valor de mais de 600 mil milhões de dólares para os Estados Unidos, que importaram apenas 370 mil milhões de dólares. Apesar dos acontecimentos do fim de semana abalarem a relação entre os Estados Unidos e a Europa, o futuro dos acordos comerciais entre os dois continua, sem surpresas, incerto.













































