O fascínio nostálgico dos blocos de vidro Designers e arquitectos redescobriram-nas e voltaram a ser moda

Os tijolos de vidro estão a voltar graças a uma nova geração de designers que os redescobrem. A popularidade de contas como @sexyglassblock, com curadoria da arquiteta americana Abby Happel, é uma prova de como os blocos de vidro são mais uma vez considerados cool. Em declarações ao Financial Times, a Happel disse que muitas pessoas ainda as associam “à casa da avó”, acrescentando: “Bem, talvez a tua avó tivesse um gosto melhor do que tu”. Esta ligação ao século XX e à arquitetura passada é precisamente a razão pela qual os tijolos de vidro estão a fazer um retorno, tornando-se cada vez mais popular em projetos de design de interiores. Patenteado em 1886 pelo arquiteto suíço Gustave Falconnier, os blocos de vidro foram inicialmente utilizados para filtrar a luz natural nas fábricas. Na década de 1920, tornaram-se uma marca da arquitectura residencial, na medida em que fachadas inteiras eram por vezes construídas com elas. O exemplo mais famoso é a Maison de Verre, um edifício parisiense projetado por volta de 1932 pelo arquiteto francês Pierre Chareau, que desde então se tornou um ícone do estilo modernista. O seu nome faz referência aos blocos de vidro translúcido na parede exterior do edifício, permitindo que a luz natural filtre no interior sem comprometer a privacidade.

No passado, o uso de blocos de vidro não era apenas uma escolha estética mas também funcional: estes tijolos ajudam a difundir a luz suave e uniforme. Os blocos de vidro voltaram à moda nos anos 80, tornando-se um símbolo do hedonismo típico da década. Hoje, estão de volta à moda, apreciados por aliar funcionalidade e estética. Além disso, o seu custo é relativamente baixo, tornando-os uma solução muito procurada num contexto em que os custos de construção estão a aumentar. Os recentes avanços na tecnologia dos edifícios tornaram-nas ainda mais eficientes em termos térmicos. Como observou o arquiteto Thomas Karsten, do estúdio Karhard, sediado em Berlim, os blocos de vidro “são um material antigo com uma pegada futurista. Funcionam tão bem hoje como há 100 anos.”

Vivemos num mundo demasiado mínimo?

@_danafee

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O ressurgimento dos blocos de vidro insere-se num fenómeno mais amplo que envolve a adoção generalizada do design minimalista nas cidades e a construção de novos edifícios e interiores. Mas como é que chegámos a soluções arquitectónicas com cada vez menos enfeites? Em primeiro lugar, a produção em massa de elementos simples e funcionais, como tijolos de vidro, é mais eficiente e acessível. Além disso, o design minimalista é frequentemente associado a uma espécie de “modernidade intemporal”, capaz de manter o seu apelo praticamente inalterado ao longo do tempo. No entanto, alguns críticos — olhando para o passado — argumentam que o design minimalista levou a uma espécie de empobrecimento estético em toda a sociedade.

Esta perspectiva sugere que a busca obsessiva da simplificação conduziu à uniformidade que, eliminando cada vez mais a ornamentação, acaba por despojar objetos, edifícios e espaços urbanos de caráter. Os especialistas chamam esta tendência de “minimalismo inconsciente”, enfatizando que o problema não é tanto a escolha de um indivíduo para mobiliar uma casa ou quarto num estilo minimalista mas sim a deriva ocidental mais ampla para a simplificação extrema por si só. De acordo com esta visão, o minimalismo privou o design de uma certa riqueza visual, sacrificando detalhes e cores que outrora davam vibração aos espaços. Em suma, as linhas limpas que caracterizavam o modernismo com uma identidade forte perderam originalidade devido à sua presença constante. Além disso, a crescente prevalência de objetos produzidos em massa em detrimento do artesanato diminuiu ainda mais a atenção à ornamentação. Este processo conduziu a uma espécie de uniformidade estética, fenómeno menos pronunciado noutros períodos históricos em que a variedade e a riqueza decorativa eram parte integrante da linguagem visual.

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