A vida tumultuada da Mona Lisa De 1911 a 2024: a história dos muitos ataques à pintura mais famosa do mundo

Pensa-se muitas vezes que o quotidiano das obras de arte é monótono, mas aqui está uma que viu o seu quotidiano de altos e baixos. Desde o passado fim de semana que a Mona Lisa está no centro de todas as conversas. Apesar de ser uma das obras mais protegidas do mundo, continua a enfrentar, literalmente, vários ataques de detratores, fanáticos e ativistas de todos os cantos do globo. No domingo, 28 de janeiro, a famosa pintura de Leonardo da Vinci de 1503 com a Mona Lisa foi mais uma vez vítima de um ataque. Uma parte da história que poderia ter desaparecido devido a alguns litros de sopa, para a diversão dos internautas. Felizmente, este episódio fez mais barulho do que mal, em comparação com outros que poderiam ter sido fatais. Desde o seu famoso roubo em 1911, evento que muito contribuiu para a sua fama atual, a pintura mais preciosa do mundo, estimada entre 1 e 2 mil milhões de euros, tem sido alvo de ataques regulares. Eis algumas que podem ser consideradas particularmente dignas de nota.

1956: Um jovem danifica o cotovelo esquerdo de Mona Lisa atirando uma pedra na pintura

Em 1956, a Mona Lisa viveu dois episódios perturbadores que abalaram a sua tranquilidade. No primeiro ato, um indivíduo jogou tinta ácida na tela, causando danos significativos à obra. Depois, alguns meses depois, a 30 de dezembro de 1956, um jovem boliviano que se instalara recentemente em França atirou uma pedra ao quadro. Foi um ato de protesto contra o Estado uma vez que lhe tinha sido negada a residência permanente. O projétil quebrou o vidro de proteção, causando estilhaços que danificaram o braço esquerdo da Mona Lisa, exigindo restauro subsequente. Em resposta a esses atos de vandalismo, foram postas em prática medidas de proteção reforçadas. Agora, a Mona Lisa reside num estojo seguro, beneficiando de proteção adicional com uma vitrine à prova de balas para evitar qualquer risco de degradação futura. Estes eventos enfatizaram a necessidade de reforçar a segurança em torno desta obra-prima icónica, demonstrando que mesmo a arte não está imune aos caprichos do tempo e das ações humanas.

1974: Uma mulher ataca a pintura com um spray vermelho durante a sua exposição no Museu Nacional de Tóquio

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Apesar dos testes anteriores, a Mona Lisa continuou a sua turnê mundial, emprestando o seu charme a várias exposições, incluindo a realizada em Tóquio em 1974. No entanto, o evento tomou uma reviravolta inesperada quando uma visitante em cadeira de rodas decidiu fazer ouvir a sua voz. No meio da exposição de Tóquio, esta mulher escolheu Mona Lisa como tela para as suas reivindicações, lançando um toque de tinta vermelha para a obra de arte. O seu gesto arrojado pretendia chamar a atenção para a falta de rampas de acesso para pessoas com deficiência no museu. Embora a substância não tenha tocado na tela preciosa, o incidente ressoou no debate sobre acessibilidade, destacando os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência na exploração de espaços culturais.

2009: Uma visitante russa armada com uma caneca atira o seu projétil no vidro de proteção, deixando uma ligeira marca de impacto

Em 2005, foi inaugurada uma nova era de proteção para a Mona Lisa, com um investimento colossal de 5 milhões de euros dedicados à sua segurança. O ícone de Leonardo da Vinci estava envolto num escudo moderno, um imponente vidro à prova de balas medindo quatro metros de altura e dois metros de largura, criando uma barreira intransitável entre a obra de arte e potenciais atos de vandalismo. Esta precaução provou a sua utilidade durante um incidente em agosto de 2009 no Louvre. Uma mulher, originária da Rússia e frustrada por não obter a nacionalidade francesa, decidiu expressar o seu descontentamento de uma forma bastante inesperada. Lançou um copo vazio em direção à Mona Lisa, um gesto cheio de desespero e protesto. Os talheres atingiram violentamente o vidro à prova de balas, deixando um ligeiro arranhão como prova do ato de frustração. Felizmente, graças a esta proteção reforçada, a Mona Lisa saiu ilesa deste novo ataque simbólico.

2022: Um homem tenta tortar a Mona Lisa com uma torta de creme em nome da causa ambiental

A 29 de maio de 2022, a Mona Lisa tornou-se alvo de uma cena surpreendente e inédita. Um jovem, disfarçado de velhinha e apresentando-se como um fervoroso defensor da causa ambiental, direcionou a obra com uma torta de creme. Revelando uma performance desconcertante, levantou-se da cadeira de rodas, vestido da cabeça aos pés com uma peruca e um boné. Para além do aspeto bizarro, o seu gesto foi acompanhado por um apelo apaixonado a favor da proteção do planeta. “Há pessoas que estão a destruir a Terra (...) Todos os artistas, pensem na Terra. Foi por isso que fiz isso”, declarou, invocando assim um ato de protesto artístico. O seu lançamento de torta de creme e a tentativa de quebrar o vidro protetor da tela criaram um momento de intriga e confusão dentro do museu.

2024: Dois ativistas ambientalistas deitam sopa na Mona Lisa

O último ataque à Mona Lisa teve lugar ontem, 28 de janeiro de 2024, orquestrado por dois ativistas ambientais. Num gesto arrojado e irreverente, salpicaram a obra-prima de Leonardo da Vinci com sopa, para grande surpresa dos visitantes. Vestindo t-shirts com o logótipo do coletivo ambientalista “Food Response”, os ativistas aproveitaram a atenção mediática para expor a sua mensagem: “O que é mais importante? Arte ou direito a uma alimentação saudável e sustentável?” Através desta encenação, destacaram questões cruciais relacionadas com a fome e a sustentabilidade alimentar, denunciando veementemente as insuficiências do atual sistema agrícola. Uma situação que, no entanto, foi gerida pela equipa do Louvre com notável compostura, demonstrando a implementação de um protocolo bem estabelecido. Apesar dos esforços do Louvre para o proteger, é evidente que a Mona Lisa continua a servir de saída. O seu estatuto icónico torna-o numa musa involuntária para vários protestos, destacando a capacidade da arte de transcender o seu próprio enquadramento e tornar-se uma plataforma de expressão e mudança. Esperando que os próximos ativistas sejam um pouco mais respeitosos.

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