O governo Trump e Jeff Bezos tiveram uma briGA Porque a Amazon estava a mostrar aos clientes a sobretaxa tarifária

A Idade de Ouro da América também é moldada através de repreenções ao telefone. Como noticiou a BBC, na manhã de terça-feira o presidente Donald Trump telefonou pessoalmente ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, para expressar a sua raiva sobre relatos de que a empresa tinha planeado informar os consumidores sobre como as tarifas impactam os preços de certos produtos. O telefonema, que veio poucas horas depois da notícia ter surgido, marcou o início de um confronto político que rapidamente se transformou num debate mais amplo sobre transparência, comércio e responsabilidade corporativa. De acordo com dois altos funcionários da Casa Branca que falaram à CNN sob condição de anonimato, Trump foi informado sobre o plano da Amazon por um assessor logo após a publicação da reportagem do Punchbowl News. O artigo afirmava que a Amazon iria em breve exibir um item de linha separado indicando a parte do preço de um produto que resultava das tarifas — particularmente para itens vendidos através da Amazon Haul, uma plataforma de baixo custo lançada para competir com rivais como Shein e Temu.

@cspanofficial White House Press Secretary Karoline Leavitt on Tuesday called Amazon’s reported plans to display how much tariffs are increasing prices next to products a “hostile and political act.” “I just got off the phone with the president about this, about Amazon’s announcement. This is a hostile and political act by Amazon,” Ms. Leavitt told reporters about the story from Punchbowl News. “Why didn’t Amazon do this when the Biden administration hiked inflation to the highest level in 40 years? And I would also add that it’s not a surprise because, as Reuters recently wrote, Amazon has partnered with a Chinese propaganda arm. So this is another reason why Americans should buy American.” Amazon later denied that it was ever considering adding the price increases to its main website but said Amazon Haul was considering listing import price duties on certain products. Amazon founder Jeff Bezos declined to endorse either President Trump or Vice President Kamala Harris in 2024, but blocked the Washington Post, which he owns, from endorsing Ms. Harris. He was also given a prominent seat at President Trump’s January inauguration. Asked about the status of the president’s relationship with Mr. Bezos, Ms. Leavitt said, “I will not speak to the president’s relationships with Jeff Bezos. But I will tell you that this is certainly a hostile and political action by Amazon.” Treasury Secretary Scott Bessent then highlighted administration efforts to bring down inflation, noting that mortgage rates and energy prices have fallen and that reregulation would give Americans greater purchasing power. #amazon #whitehouse #karolineleavitt #jeffbezos #trump #cspan original sound - C-SPAN

Tal medida deixaria claro para os consumidores como o regime tarifário de Trump — que inclui um imposto de 145% sobre as importações chinesas e uma tarifa base de 10% sobre bens de todos os outros países — afeta os preços finais. “Estava obviamente furioso”, disse um dos responsáveis à CNN. “Porque é que uma empresa multibilionária iria querer repassar os custos para os consumidores? É uma maneira interessante de protestar contra uma política de transparência, e sugere que as empresas americanas devem absorver os custos e manter os preços baixos para os clientes — algo que inevitavelmente sobrecarregaria os seus orçamentos. Em todo o caso, dentro de uma hora, Trump já tinha telefonado a Bezos. Apesar de todo o conteúdo da chamada permanecer confidencial, Trump descreveu com entusiasmo a conversa aos jornalistas. “O Jeff Bezos foi muito simpático. Ele foi fantástico. Ele resolve o problema muito rapidamente. É um bom tipo”, disse.

O “problema”, segundo o presidente, era a possibilidade de os consumidores americanos verem o impacto financeiro das tarifas — impostas como parte da estratégia da administração para reduzir a dependência das cadeias de abastecimento chinesas. Para a Casa Branca, essa divulgação não era apenas indesejável; foi politicamente explosiva. Durante uma conferência de imprensa naquela mesma manhã, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, abordou diretamente a questão, entregando uma das mais duras repreensões que esta administração fez a uma corporação privada. “Isto é um ato hostil, político da Amazon”, afirmou. “Porque é que a Amazon não fez isso quando a administração Biden levou a inflação ao nível mais alto em 40 anos? Leavitt foi mais longe, sugerindo que o plano fazia parte de um alinhamento mais amplo entre a Amazon e os interesses estrangeiros. Ela citou um relatório da Reuters de 2021 que afirmava que a Amazon censurou críticas negativas dos discursos de Xi Jinping na sua plataforma chinesa. “A Amazon trabalhou com um braço de propaganda chinês”, afirmou. “É outra razão pela qual os americanos devem comprar americanos. ”

O secretário do Comércio, Howard Lutnick, também opinou durante uma entrevista à CNBC, minimizando o impacto das tarifas nos preços ao consumidor e caracterizando o movimento relatado como um gesto politizado. “É um ato hostil se uma empresa se esforçar para fazer parecer que as tarifas causaram um aumento de preço”, disse. “É um absurdo. Uma tarifa de 10% dificilmente vai alterar qualquer preço. O único preço que mudaria é um produto que não fabricamos aqui — como uma manga. ”

Entretanto, a Amazon procurou distanciar-se do relatório. Num comunicado emitido a vários meios de comunicação, um porta-voz disse que embora a ideia de indicar os custos de importação tivesse sido discutida internamente para a Amazon Haul, nunca tinha sido aprovada. “Esta opção nunca foi aprovada e não será implementada”, esclareceram. “A equipa que gere a Amazon Haul, a nossa loja low-cost, considerou a ideia de mostrar os custos de importação em alguns produtos. Nunca foi aprovado e não será implementado. A empresa enfatizou ainda que o plano nunca foi considerado para a sua principal plataforma, a Amazon.com.

Apesar da negação da Amazon, o episódio desencadeou uma reação generalizada. No Senado, o líder da minoria Chuck Schumer expressou apoio a mais transparência tarifária, instando as empresas a mostrarem claramente aos clientes quanto mais estão a pagar devido às políticas comerciais. “Às grandes empresas que vendem aos consumidores, digo: mostre aos seus clientes o quanto as tarifas estão a tirar dos seus bolsos”, disse. “As pessoas merecem saber o impacto que as tarifas têm nas suas finanças. ”

Segundo fontes internas da Amazon, a discussão em torno da transparência começou após o fim da isenção tarifária para embarques da China abaixo dos 800 dólares. Insistem que a decisão de não avançar com a demonstração dos custos não foi tomada em resposta à pressão da Casa Branca. A questão reflete uma tensão crescente entre a estratégia protecionista da administração e as realidades de uma cadeia de abastecimento global. Mesmo que Bezos “tenha resolvido o problema”, como disse Trump, a questão mais ampla permanece em aberto: as empresas devem ser autorizadas — ou mesmo encorajadas — a divulgar os custos ocultos das políticas protecionistas? Ou, como a Casa Branca parece acreditar, será essa transparência inerentemente um ato político?

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