Hermès processada por “práticas comerciais desleais” Tribunal californiano implica que procedimento de compra de um Birkin é ilegal

Um tribunal da Califórnia processou a casa de moda francesa Hermès por práticas comerciais desleais na venda da Birkin, um acessório de culto da marca. Tina Cavalleri e Mark Glinoga, que apresentaram a queixa, argumentam que a Hermès exerceu o chamado “poder de mercado” dado pela “desejabilidade única, procura incrível, e oferta limitada” dos icónicos totes para elevar os seus preços. No documento, Cavalleri e Glinoga acusam a marca de criar um esquema que obriga os clientes a investir em outros produtos da Hermès para terem a oportunidade de comprar um Birkin. A bolsa Hermès com o nome da atriz Jane Birkin nasceu em 1984 e logo se tornou um símbolo de status inacessível para a maioria. Inicialmente, para adquirir um destes acessórios, precisava de estar numa notória lista de espera, que depois foi removida, mas o valor do acessório continuou a subir. Hoje, é reconhecido como um ativo de porto seguro (ou peça de investimento), com estudos recentes a mostrarem que o saco teve um retorno médio de 14,2% entre 1984 e 2015.

Entre as afirmações inegáveis apresentadas por Tina Cavalleri e Mark Glinoga está o facto de os consumidores não poderem simplesmente entrar numa boutique da Hermès e comprar um Birkin: devem ser considerados “dignos” mesmo apenas para o ver. Este ponto é o que torna o caso contra a Hermès notável, uma vez que o histórico de compras do cliente desempenha um papel significativo na sua probabilidade de conseguir comprar um Birkin. A acusação foi feita após várias tentativas de Cavalleri e Glinoga para obter o infame saco, quando os funcionários da loja explicaram aos dois clientes que para potencialmente obter uma das malas Birkin, precisariam gastar mais em outros itens da maison. O caso destaca o papel dos vendedores associados no esquema, implicando que uma vez que recebem 3% de comissão sobre as vendas, este processo também os beneficia, uma vez que não recebem percentagens sobre as vendas da Birkin. De acordo com o relatório de Cavalleri e Glinoga, a Hermès seria culpada de “se envolver voluntária e intencionalmente em condutas predatórias, excludentes e anticompetitivas com a concepção, finalidade e efeito de manter ilegalmente o seu mercado e/ou poder monopolista”.

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